O poder da aglutinação

O poder de articulação do prefeito Samuca Silva (PSDB) foi colocado à prova na última semana com atuação em diferentes frentes. O resultado final demonstra que mesmo ainda no início de sua trajetória política, ocupando pela primeira vez um cargo eletivo, o jovem chefe do Palácio 17 de Julho tem sido capaz de colocar em prática um de seus slogans de campanha. Com diálogo, aprovou na Câmara de Vereadores duas matérias consideradas complexas e ainda atraiu para sua equipe importantes nomes da política de Volta Redonda.

A semana começou com ligações, trocas de mensagens por aplicativos e reuniões entre Samuca, seus assessores mais próximos e parlamentares. A costura tinha como meta aprovar ainda na noite de segunda-feira (dia 2) duas mensagens de autoria do Poder Executivo. Uma reduzindo de três mil cargos de livre nomeação – sob Regime de Pagamento Autônomo (RPA) – para 750. A outra autorizando a prefeitura a fazer empréstimo de R$ 80 milhões junto à Caixa Econômica Federal.

Somente poucos minutos antes do início da sessão plenária do Poder Legislativo é que se chegou ao consenso que a base governista tinha ampla maioria para supera a ala de oposição. A votação em plenário foi tensa do início ao fim. Os vereadores Neném (PSB) e Maurício Pessoa (PSC), por exemplo, estenderam o debate acalorado para o corredor de acesso aos gabinetes. O bate-boca foi registrado por câmeras de celulares de pessoas que acompanhavam a confusão.

No final, o resultado comprovou que a articulação de Samuca foi conduzida com eficiência. Os números da aprovação comprovam: 16 votos do total de 21 integrantes do parlamento da Cidade do Aço. Agora o prefeito conseguirá com isso cumprir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado junto ao Ministério Público do Trabalho, priorizando, com isso, a contratação de servidores concursados.

Com a verba de R$ 80 milhões extra no orçamento, o governo ganha fôlego para mirar em ações no setor de infraestrutura, como asfalto, iluminação pública, reforma de campos de grama sintética e drenagem para evitar alagamentos. “Esses dois fatores são importantes para nossa cidade: a aprovação das duas mensagens e a união de forças por Volta Redonda. Nosso governo tem credibilidade, é do diálogo e transparência, além da eficiência na gestão pública”, disse o prefeito, salientando que a gestão da dívida foi que permitiu ao município obter o crédito da Caixa.

Pela sua previsão, em no máximo 20 dias o dinheiro estará na conta da prefeitura. A primeira parcela do empréstimo será paga a partir de 2021.

Os parlamentares favoráveis à proposta foram Paulo Conrado (PRTB), Edson Quinto (PL), Sidney Dinho (PEN), Novaes (PP), Fernando Martins (MDB), José Augusto (PDT), Rodrigo Furtado (PTC), Vair Duré (PP), Neném (PSB), Pastor Washington (PRB), GM Isaac (PEN), Luciano Mineirinho (PL), Maurício Pessoa (PSC), Laydson (MDB) e Fábio Buchecha (PTB).

“Tivemos uma articulação junto aos vereadores da base, que se mostraram parceiros de Volta Redonda. Diminuir os cargos de livre nomeação e terminar com o RPA é corrigir uma grande irregularidade e maldade com os servidores, que não tinham direitos trabalhistas. E o investimento de R$ 80 milhões fará com que a cidade possa investir em áreas importantes do município”, explicou o prefeito.

Com diálogo, prefeito une grupos políticos da Cidade do Aço

Com a aprovação das mensagens na Câmara, o prefeito Samuca Silva (PSDB) partiu para outra empreitada em que seu poder de dialogar novamente foi colocado em teste. O movimento mirando o pleito de 2020, quando provavelmente buscará a reeleição, tinha como meta unir no mesmo grupo personagens importantes da história recente de Volta Redonda. As conversas iniciaram há algumas semanas, mas começaram a ser concretizadas na manhã de terça-feira (dia 3).

Com a saída de Dayse Penna da secretaria da Mulher, Idosos e Direitos Humanos (Smidh) abriu-se o caminho para América Tereza assumir o comando da pasta. Não é a primeira vez que a ex-vereadora caminha lado a lado com Samuca. Após ser derrotada no primeiro turno das eleições de 2016, Tereza declarou apoio ao então candidato do Partido Verde (PV) no segundo turno.

Samuca também conseguiu agregar em sua equipe outros dois nomes conhecidos da população de Volta Redonda. O ex-deputado estadual Nelson Gonçalves assume a partir desta segunda-feira (dia 9) o Gabinete de Estratégia Governamental (Gegov).

Outro ex-adversário que se junta ao time do Palácio 17 de Julho é o empresário Rogério Loureiro, que será subsecretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo. “Nosso governo é do diálogo. E mostramos que, com a união daqueles que realmente amam Volta Redonda, podemos unir o que as pessoas têm de melhor para nossa cidade avançar. Agradeço a confiança da América Tereza, do Nelson e do Loureiro. Unidos por amor a Volta Redonda vamos ter muitas conquistas para a população”, disse.

O prefeito ainda conta na coordenação da Policlínica Municipal com Márcia Cury. E, na direção médica do Hospital do Retiro, o ex-prefeito Paulo Baltazar. “O momento do Brasil e de Volta Redonda é do diálogo e união de esforços para superar os problemas do dia a dia da população. Independente das questões partidárias, das cores das camisas, precisamos unir esforços por nossa cidade”, completou.

Editorial

O anúncio do nome de políticos que até então estavam posicionados na ala de oposição ao governo Samuca Silva deve ser analisado com a sobriedade que o tema merece. Críticas fazem parte do processo democrático que ainda vigora no Brasil, apesar do momento de desconfiança atual. Isto posto, é notório que a política (seja ela nova ou velha) do diálogo adotada pelo chefe do Executivo municipal demonstra amadurecimento.

Jamais, na recente história de Volta Redonda, políticos de distintos campos ideológicos deixaram o ego de lado para tentar construir um caminho que leve o Município a seguir como referência para as demais cidades do interior do estado do Rio de Janeiro. Aliás, a perseguição política implacável foi instrumento adotado no período em que ex-prefeito Antônio Francisco Neto permaneceu no poder. O emedebista costumava até rotular de inimigo quem ousasse a desafiá-lo, mesmo que nas urnas.

Como negar a experiência de Nelson Gonçalves, deputado estadual por cinco mandatos? E o conhecimento prático de América Tereza, que mesmo rejeitada nas urnas em 2016, tem no currículo uma extensa ficha de bons serviços prestados no setor público. Já Rogério Loureiro, reconhecidamente é um empresário bem-sucedido à frente da empresa de sua família.

Samuca segue linha parecida com a do também estreante na vida política, o governador Wilson Witzel (PSC). O ex-juiz federal abraçou em sua equipe o ex-deputado Pedro Fernandes, candidato derrotado ao Palácio Guanabara nas eleições do ano passado. A população de Volta Redonda e de Estado do Rio de Janeiro só tem a ganhar com a abertura para ideias e filosofias distintas. A oposição rasa e rasteira, sem argumento, merece ser tratada apenas como choro de perdedor.



DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui