A decisão do prefeito Samuca Silva (PSC) de não disputar a reeleição em outubro sacudiu o meio político de Volta Redonda. Engana-se, porém, quem pensa que a possibilidade começou a ser debatida com o crescimento da pressão provocada pelo período da pandemia do novo coronavírus. A ideia surgiu bem antes. Para ser preciso, começou a ser debatida na metade de 2019.

Em conversas internas com assessores mais próximos, Samuca expôs repetidas vezes seu pensamento contrário à reeleição. Publicamente,
ele já havia defendido a tese de cinco anos como tempo máximo de mandato no Poder Executivo.

O posicionamento, inclusive, voltou a ser defendido na coletiva de imprensa de quinta-feira (dia 4), no Salão Branco do Hotel Bela Vista. Na oportunidade, ele explicou que sua decisão foi baseada em
sua formação e convicções políticas de que a reeleição atrapalha a gestão administrativa e fiscal de uma cidade, estado ou país.

“Minha responsabilidade e compromisso hoje é salvar vidas. Não consigo pensar em política, fazer articulações sabendo que meu povo está morrendo e com medo. Nossa cidade não pode parar, temos
que ativar a economia e recuperar os empregos perdidos”, declarou.

Todavia, outro ponto avaliado por Samuca Silva foi o distanciamento
familiar provocado pela agenda intensa de trabalho. Neste período de três anos e meio como prefeito, poucos foram os dias de descanso ao lado da esposa Odiliani. A perda do pai, Benício Ferreira da Silva, em junho do ano passado, fez aumentar o desejo de Samuca de ficar
mais próximo de sua mãe, dona Marlene Silva.

Outra questão analisada internamente, é que Samuca nunca escondeu a ambição de alçar voos mais altos no campo político. Para quem convive de perto, não será nenhuma surpresa que em 2022 ele surja
como candidato ao governo do Estado do Rio ou até mesmo à presidência da República. Samuca não descartaria também ocupar uma vaga em órgãos fiscalizadores, como o Tribunal de Contas.

Opções

Enquanto dia 31 de dezembro de 2020 não chega, data em que seu mandato encerra, Samuca trabalha para encontrar um nome dentro do seu grupo para compor uma chapa majoritária nas eleições de outubro.
O nome do escolhido segue indefinido. Entre as opções, surgem o ex-secretário de Saúde, Alfredo Peixoto (PSD), e o fiel escudeiro Fernando
Samuquinha.

Certo é que o grupo governista terá representante na eleição deste ano. “Teremos candidatura própria do governo. Nosso legado de inovação e transformação da cidade será defendido”, garante Samuca.
Ainda de acordo com o prefeito, o posicionamento do governo
também visa “impedir” que o grupo político que comandou Volta Redonda e o Estado do Rio de Janeiro volte ao Palácio 17 de Julho com políticas de “retrocesso”.

Durante a coletiva, Samuca Silva anunciou que não se afastará da política. “Serei candidato em 2022. Não acho justa a continuidade de uma gestão. Acredito que cada um tem seu tempo de contribuição
com uma cidade. A minha já fiz. Mas, agora, temos que impedir que o grupo que destruiu Volta Redonda e o Estado do Rio retorne ao poder. Para isso, não irei medir esforços e, por isso, o governo terá uma
candidatura própria”, afirmou.

Antes do anúncio de sua decisão de abrir mão da disputa pela reeleição, Samuca Silva fez um balanço sobre as ações tomadas nestes três anos e meio de governo. Ele citou a concepção de um novo modelo político; o combate à corrupção, com a criação de ferramentas de controle como a Controladoria Geral do Município e mudança no modelo de licitações da Prefeitura.

“Desde que assumimos tudo é licitado por meio de pregão, ou seja, melhor preço. Geramos economia de milhões de reais aos cofres da
prefeitura. Na gestão passada, que ficou 20 anos no poder, tudo era feito por carta convite e dispensa de licitação com fracionamento
de despesa. Isso acabou. Moralizamos a administração pública e recebemos vários prêmios por transparência no uso de recursos públicos”, ressalta o prefeito.

Samuca lembrou que assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2017, com dívidas de mais de R$ 1,7 bilhão. Neste período, de acordo com ele, as contas do Município foram organizadas e a arrecadação cresceu com gestão fiscal, economias e otimização de equipamentos.
“Se não fosse isso, não teríamos capacidade de investir, quiçá de realizar a manutenção do município”, destacou.

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