O presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, anunciou na manhã de sexta-feira (dia 16), durante a divulgação de resultados da empresa, que o Alto-Forno 2 da Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, será religado na segunda quinzena de novembro deste ano. A decisão leva em consideração a maior demanda de aço nos mercados internos e externos.

A melhoria do cenário já foi registrada no terceiro trimestre: as vendas no mercado doméstico no terceiro trimestre atingiram 923 mil toneladas, representando um crescimento de 50% em relação ao semestre anterior, quando a CSN compensou a redução de vendas no país com exportações. Segundo o diretor Comercial da empresa, Luís Barbosa Martinez, apesar do AF-2 parado, a maior eficiência do AF-3, após a reforma de 2019, manteve a produção capaz de absorver a demanda.

Martinez, afirmou que há uma perspectiva positiva para o mercado de aço em função de diversos aspectos. O setor de embalagens de alimentos, por exemplo, está crescendo, impactado em parte pela substituição de plástico por aço em embalagens alimentícias e também pela maior demanda por embalagens de tintas, reflexo de uma melhora na construção civil.

O executivo da CSN também pontuou que há uma perspectiva superpositiva para o mercado de linha branca (eletrodoméstico), com mais pessoas em casa, investindo na melhoria do conforto de seus lares. Além disso, o setor automotivo teve uma queda inferior ao que era esperado.

Mercado doméstico

Durante a reunião com os investidores e acionistas, foi registrado que a CSN registrou um EBITDA ajustado (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorde de R$ 3.506 milhões no 3º Trimestre, ou 82% superior ao trimestre anterior em função de combinação de melhores volumes, preços e custos em basicamente todos os segmentos de atuação (o que inclui além da Siderurgia, Mineração, Cimentos, Logística e Energia).

Outro destaque importante foi o EBITDA do setor de cimentos, que atingiu recorde histórico de R$100 milhões no 3T20, em função de maiores volumes e recuperação da rentabilidade. A CSN possui duas fábricas de cimentos, uma delas em Volta Redonda.

Lucro líquido

A CSN reverteu prejuízo de R$ 871 milhões registrados no terceiro trimestre de 2019 em um lucro líquido de R$ 1,262 bilhão. A receita líquida entre julho e setembro foi de R$ 8,715 bilhões, sendo 40% superior ao registrado no segundo trimestre de 2020 e 45% superior ao apresentado no mesmo período do ano passado.

O acréscimo de receita no terceiro trimestre deste ano se deu, principalmente, pela normalização do volume de produção de minério de ferro, combinado com preços maiores de minério de ferro, cimento e aço frente ao segundo trimestre deste ano.

Resultados na Siderurgia

Segundo a World Steel Association (WSA), a produção global de aço bruto totalizou 311,1 milhões de toneladas no acumulado de julho e agosto de 2020, queda de 0,3% em relação ao mesmo período acumulado de 2019, sendo que a China produziu sozinha 188,2 milhões de toneladas, alta de 8,7%, enquanto na União Europeia e América do Norte, houve queda em relação ao mesmo período do ano anterior.

No 3T20, a produção de placas pela CSN somou 781 mil toneladas, 15% menor em relação ao 2T20 em função da paralisação estratégica do AF#2 ao final de maio, o que demonstra uma evolução substancial de performance do AF-3 após a reforma geral em 2019.As vendas totais atingiram 1.278 mil toneladas, 27,4% acima quando comparada as registradas ao 2T20, em função principalmente da recuperação no mercado interno pós pico da pandemia, somado ao bom aproveitamento de produtos zincados no mercado externo.

O volume de aço comercializado no mercado interno somou 923 mil toneladas, 50% superior ao 2T20 em função de forte recuperação pós pico da pandemia. Deste total, 869 mil toneladas referem-se a aços planos e 54 mil toneladas a aços longos. De acordo com dados do Instituto Aço Brasil (IABr), o consumo aparente no país com base na média mensal (julho e agosto 2020), apresentou evolução de 29% em relação à média mensal no segundo trimestre.No mercado externo, as vendas do 3T20 somaram 355 mil toneladas, 9% inferiores às realizadas no trimestre imediatamente anterior, em função da sazonalidade na Alemanha e ao ritmo de uso das quotas no mercado americano.

Neste período, 26 mil toneladas foram exportadas de forma direta e 329 mil toneladas foram vendidas pelas subsidiárias no exterior, sendo 63 mil toneladas pela LLC, 171 mil toneladas pela SWT e 94 mil toneladas pela Lusosider.No 3T20, com relação ao volume total de vendas, a participação de produtos revestidos de aços planos permaneceu estável em 53%, contra o trimestre passado e ano anterior. Os volumes de vendas para ossegmentos automotivo (+165%), linha branca (108%) e distribuição (+52%) foram os destaques positivos do período, com forte recuperação após o impacto da pandemia no 2T20.

De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), na média mensal no terceiro trimestre de 2020 a produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus atingiu o montante de 190,7 mil unidades, aumento de 300%, frente a média mensal no trimestre anterior, no entanto ainda abaixo da média mensal de 245 mil em todo o ano de 2019.Segundo dados do IBGE, a produção de eletrodomésticos registrou queda de 5% referente aos meses acumulados até agosto de 2020, comparado ao mesmo período acumulado anterior. Foto: Wallace Feitosa

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