O prefeito de Volta Redonda, Neto (PP), já enfrenta divisão na própria base aliada na disputa pelo governo do estado. Enquanto mantém proximidade política com o ex-governador Cláudio Castro (PL), principal articulador da pré-candidatura de Douglas Ruas (PL), aliados do prefeito no município começam a se posicionar em favor de Eduardo Paes (PSD), que lidera as primeiras pesquisas.
O movimento mais recente ocorreu na noite de quarta-feira (dia 29), quando o presidente da Câmara de Volta Redonda, Nilton Alves de Faria, o Neném (PP), declarou apoio a Eduardo Paes. A decisão chama atenção porque o vereador é um dos principais aliados políticos de Neto na cidade.
O encontro aconteceu em um restaurante no bairro Bela Vista e reuniu vereadores e integrantes do governo municipal. Ao explicar o apoio, Neném destacou a abertura de diálogo com o pré-candidato.
“Foi uma oportunidade valiosa para apresentar as necessidades da nossa população e discutir desafios regionais. Nosso apoio está com Eduardo Paes”, afirmou.
A reunião também contou com a presença de outros vereadores de Volta Redonda, entre eles Gemilson Sukinho (PSD), que também manifestou apoio ao nome de Paes nas redes sociais. “Eduardo tem experiência, conhece a realidade do nosso povo e já demonstrou capacidade de gestão”, escreveu.
Participaram ainda os vereadores Marquinho Motorista (Podemos), Carla Duarte (PSD) e Francisco Novaes (PP), todos da base do governo na Câmara, além de Gisele Klingler (PSB), integrante da oposição.
Bastidores
Nos bastidores, o avanço de apoios a Eduardo Paes já é visto como um fator de esvaziamento do palanque de Douglas Ruas no município, apesar da ligação política entre Neto e Cláudio Castro. O prefeito já citou, em diferentes ocasiões, a relação de gratidão com o ex-governador, que atua diretamente na construção da candidatura de Ruas ao Palácio Guanabara.
Reservadamente, interlocutores do governo municipal avaliam que Neto dificilmente romperá com Cláudio Castro e deve manter apoio integral a uma eventual candidatura do ex-governador ao Senado, caso ele reverta na Justiça a decisão que o tornou inelegível. Em relação a Douglas Ruas, no entanto, a leitura é outra.
“O Neto não vai largar o Castro, mas o palanque do Ruas aqui tende a ficar bem mais enxuto”, disse, sob condição de anonimato, uma fonte com acesso ao núcleo político do Palácio 17 de Julho.
Outro fator que reforça a divisão no grupo político é o reposicionamento de Munir Neto, deputado estadual e irmão do prefeito. Na última janela partidária, ele deixou o PSD, partido de Eduardo Paes, e se filiou ao Solidariedade, legenda que tem sinalizado apoio a Douglas Ruas.
O movimento expõe a dificuldade de Neto em conciliar compromissos políticos no plano estadual com uma base local que já começa a se reposicionar por conta própria.












































