Nesta segunda-feira (dia 9), a Guarda Municipal de Volta Redonda completa 71 anos de existência. Criada em 9 de fevereiro de 1955, a corporação chegou a ser, durante um período, a única força policial do recém-emancipado município de Barra Mansa. Seu funcionamento e organização foram posteriormente reconhecidos pela Lei nº 3.622, de 2000, consolidando sua estrutura jurídica e administrativa.
Hoje, com mais de 160 guardas, 105 veículos e patrulhas especializadas, da Proteção ao Idoso ao Maria da Penha, além das Unidades de Guarda Comunitária (UGCs), que mantêm contato direto com as comunidades, a GMVR se apresenta como referência estadual.
Mas a data que deveria ser de festa será marcada por protestos. Guardas municipais se mobilizam para cobrar melhores salários, valorização profissional e condições de trabalho dignas. A concentração está marcada para as 9h na sede da corporação, na Ilha São João, seguida de caminhada até o Palácio 17 de Julho, sede do governo municipal.
Para a categoria, o descontentamento é histórico, mas se intensifica em um momento em que o contraste entre discurso e prática é cada vez mais presente. “Praticamente não tem mais Guarda. Uns estão se aposentando, outros fazendo concursos e saindo”, relata um agente com quase 20 anos de corporação.
“Estão usando todos os recursos destinados à Guarda e repassando para a Ordem Pública. Não temos viaturas para andar; praticamente todas estão sucateadas. Já na Ordem Pública só tem carro zero quilômetro.”
A categoria está criando uma associação para fortalecer a presença nas discussões com as autoridades públicas, garantindo que reivindicações de carreira, salário e condições de trabalho não sejam apenas palavras em discursos oficiais.
Discurso x prática
O contraste com o discurso oficial é evidente. Na manhã de quinta-feira (dia 5), o prefeito Neto (PP) declarou, em entrevista ao programa Dário de Paula, que a GMVR é uma referência e que seu trabalho é “aplaudido por todos, inclusive por mim”. Ainda assim, para os guardas, as palavras do prefeito não se refletem na prática.
A diferença do Regime Adicional de Serviço (RAS) intensifica a insatisfação: policiais civis recebem R$ 604,85 por 12 horas de plantão; os guardas municipais, apenas R$ 207, quase três vezes menos.
Além disso, a insatisfação é agravada pelo fato de que, na secretaria municipal de Ordem Pública (Semop), diversos cargos comissionados recebem salários superiores aos dos guardas concursados. Para a categoria, a soma desses fatores amplia ainda mais a sensação de desvalorização e descaso.
Convênio PCERJ
Na segunda-feira (dia 2), a situação ganhou outro destaque com a assinatura de um convênio entre o governo municipal e a Polícia Civil, no gabinete do prefeito Neto. O acordo prevê um reforço mensal de mais de 90 vagas de RAS, aumentando o efetivo da Polícia Civil no município e fortalecendo a atuação investigativa. Serão 62 vagas na 93ª DP e 31 na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), o que representa um reforço diário de três agentes, dois na 93ª DP e um na Deam.
O prefeito Neto destacou que o convênio reforça o compromisso da administração com a segurança pública. “Esse convênio mostra que o Poder Público não mede esforços para investir na segurança. Segurança pública é qualidade de vida e cuidar das pessoas é uma prioridade nossa todos os dias. Estamos fortalecendo a parceria com a Polícia Civil para garantir mais proteção à população”, afirmou.
O secretário de Ordem Pública, Luiz Henrique Monteiro Barbosa, reforçou que a ampliação do RAS acompanha o crescimento da cidade e das demandas da população, especialmente na Deam. “Assim como a cidade cresceu, a demanda também cresceu. O objetivo, além de reforçar a segurança, é melhorar o atendimento à população. A integração entre as forças de segurança realmente existe, e fortalecer esse movimento é sinônimo de buscarmos qualidade de vida por meio da segurança”, disse.
A delegada titular da Deam, Juliana Montes, acrescentou que o custeio do RAS permitirá atendimento mais rápido e qualificado às mulheres vítimas de violência. Já o deputado estadual Munir Neto (PSD) destacou a importância do convênio para ampliar a proteção à população feminina.
“Atuar em prol de uma sociedade mais segura, garantindo estrutura para o combate à violência contra a mulher, é atuar pela qualidade de vida de todas as famílias”, observou o parlamentar.
Reivindicações e insatisfação
Apesar do discurso oficial, os guardas municipais insistem que o convênio evidencia a desigualdade de tratamento. A categoria também cobra a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), melhores condições de trabalho e valorização salarial.
A manifestação de segunda-feira será o primeiro ato público da GMVR em 2026 e simboliza a tentativa de chamar atenção para a falta de estrutura, a desvalorização e a desigualdade, mesmo em um dia que marca o aniversário de uma corporação histórica para a cidade.











































