19.6 C
V Redonda
domingo, maio 3, 2026
Início Geral CSN direciona R$ 8 bilhões à siderurgia em busca de eficiência e...

CSN direciona R$ 8 bilhões à siderurgia em busca de eficiência e redução de custos

Em meio a um cenário global de excesso de oferta de aço, pressão de custos e avanço das importações, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) prepara um novo ciclo de investimentos voltado à siderurgia. O Relato Integrado 2025, divulgado na quinta-feira (dia 30), indica que a empresa mantém o foco no principal negócio do grupo e direciona recursos para ganhos de eficiência e modernização operacional.

O plano prevê cerca de R$ 8 bilhões em investimentos até 2028, concentrados na atualização de ativos e na melhoria de processos produtivos. A iniciativa ocorre em um contexto de margens pressionadas no setor, influenciado por juros elevados no Brasil e pela maior presença de aço importado no mercado interno ao longo do último ano.

Os aportes estão concentrados na Usina Presidente Vargas (UPV), em Volta Redonda, principal unidade siderúrgica da companhia. Os recursos serão destinados a etapas como sinterização, coqueria, altos-fornos, aciaria e laminação, com foco na estabilidade operacional e na redução de custos.

Entre as frentes priorizadas está o aumento da produção própria de coque, insumo essencial para os altos-fornos. A medida tende a reduzir a dependência de fornecedores externos e a aumentar o controle sobre o processo produtivo.

Os dados de 2025 mostram uma mudança na condução operacional. As vendas de aço somaram 4,2 milhões de toneladas, queda de 7,5% em relação ao ano anterior, em um movimento de ajuste diante das condições de mercado.

Mesmo com menor volume, o desempenho financeiro da siderurgia apresentou melhora. O segmento registrou Ebitda de R$ 2,2 bilhões, com margem de 10%. Segundo o relatório, houve redução de custos e maior eficiência operacional, com o menor nível de custo na produção de placas de aço (slabs) dos últimos quatro anos.

A digitalização industrial aparece como outro eixo relevante do plano. A companhia prevê ampliar o monitoramento preditivo de equipamentos, elevando o percentual de ativos sensorizados de 3% para 15% nos próximos dois anos. A iniciativa busca reduzir falhas operacionais e custos de manutenção, além de aumentar a disponibilidade dos equipamentos.

Agenda ambiental

A estratégia também incorpora metas relacionadas à redução de emissões. De acordo com o relatório, a intensidade de emissões de CO? na siderurgia caiu 7% em relação ao ano-base, além de avanços no controle de material particulado na UPV.

No exterior, a companhia mantém operações com menor intensidade de carbono, como a unidade na Alemanha baseada em forno elétrico a arco e uso de energia renovável, em linha com padrões ambientais mais exigentes.

O documento também destaca a integração entre siderurgia, mineração, logística, energia e cimentos como elemento central da estrutura do grupo. Essa configuração amplia o controle sobre custos e operações ao longo da cadeia.

O ambiente para o setor, no entanto, permanece desafiador. A combinação de excesso de oferta global e maior presença de aço importado continua pressionando preços e margens, especialmente em mercados com maior exposição ao comércio internacional.

Nesse contexto, o ciclo de investimentos descrito no relatório está mais associado à melhoria de eficiência e à adaptação operacional do que à expansão de capacidade. A movimentação indica um esforço de ajuste a um ambiente mais competitivo, em que controle de custos, escala e confiabilidade operacional seguem como fatores determinantes para o desempenho da indústria siderúrgica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.