Um novo capítulo na novela que transformou o comando da prefeitura de Paraty foi escrito na quinta-feira (dia 16). O prefeito eleito Luciano Vidal (MDB) foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por captação ilegal de voto e abuso de poder econômico. Foram denunciados ainda na ação de investigação eleitoral, o vice-prefeito eleito, Valdecir Ramiro, e o empresário financiador da campanha, Ronaldo Freire Carpinelli, preso em flagrante no dia da eleição por oferecimento de vantagens a eleitores.

Luciano e Valdecir venceram as eleições suplementares por uma diferença de apenas 34 votos com relação à chapa que ficou na segunda colocação. De acordo com as investigações, no dia 4 de agosto, data das eleições suplementares realizadas no município, Ronaldo circulou em áreas carentes da cidade, notadamente as comunidades da Ilha das Cobras e Parque Mangueira, distribuindo dinheiro, material de campanha e pagando alimentos e bebidas em troca de votos para a chapa.

No dia da eleição, o empresário foi visto em frente ao Colégio Municipal Parque da Mangueira cercado por eleitores no momento em que foi abordado pelas equipes de fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral, que atuavam em apoio às eleições suplementares.

Durante a abordagem, foram encontrados R$ 10.947,00 em espécie, um cheque ao portador no valor de R$ 7.558,00, apontamentos sobre entrega de bens e materiais de construção em diversos bairros da cidade e anotações de contratos firmados por ele com o Município de Paraty, governado pelo grupo político de Luciano desde 2012.

Em seus pedidos, requer à promotoria que o auto de prisão em flagrante de Ronaldo seja distribuído à 57ª Zona Eleitoral, que os autos sejam enviados à Delegacia da Polícia Federal de Angra dos Reis para a instauração de inquérito que apure os crimes de compra de votos, caixa dois de campanha, corrupção passiva e ativa e lavagem de capitais, e identificação das empresas em que Ronaldo possui participação e, dentre estas, quais possuem contratos firmados com o município.

“Caso a prática de abuso de poder seja configurada, além da captação ilícita de sufrágio, os políticos poderão ter seus mandatos cassados e os três denunciados ficarão inelegíveis pelos próximos oito anos, além de pagarem multa”, destaca a nota do MPE.

Foto: Reprodução Internet

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