Michael Cassiano da Silva, de 36 anos, viu a sua vida transformar em 2012. No mês de dezembro daquele ano, pouco tempo depois de deixar Volta Redonda para tentar a sorte em Belo Horizonte, ele sofreu um grave acidente de trânsito na capital mineira. Desde então, as “feridas” foram abertas e persistem até hoje, provocadas por um erro médico.

“Sofri o acidente e tive apenas uma luxação, coisa simples, mas o médico decidiu me operar. Foi uma época em que havia uma máfia das próteses e fui vítima de um deles, de um profissional que queria fazer ganho financeiro. Fiz três cirurgias sem necessidade”, afirma Michael.

Passados 8 anos do fatídico dia, o jovem ainda precisa passar por mais dois procedimentos reparadores, segundo ele, provocados por infecção no osso. “As sucessivas cirurgias fracassadas me provocaram uma dor insuportável, estou com uma perda óssea de quase 10 centímetros na perna direita e uma infecção, que fez com que aparecessem feridas. Fora isso, em função da dor, sinto muita fraqueza, desconforto e não consigo fazer coisas simples, como virar na cama”, detalhou Michael.

Para a realização da cirurgia, ele precisa de R$ 100 mil. Porém, até a tarde de sexta-feira (dia 23), o site Vakinha.com.br, onde a campanha está registrada para doações, contabilizava pouco mais de R$ 11 mil de arrecadação. “Essas cirurgias acabaram com a minha vida e a minha carreira. Para resolver isso, não é qualquer médico que pode realizar a cirurgia, e no SUS não vou conseguir, pois há uma fila enorme”, afirma.

Segundo Michael Cassiano, a cirurgia tem como objetivo recuperar de forma definitiva os erros médicos cometidos há 8 anos. “Para se ter uma ideia, em dezembro de 2012, foi colocada uma placa e sete parafusos fora do local que tinha acontecido a lesão. Mesmo assim, ainda fui submetido a mais duas cirurgias, uma em janeiro e outra em fevereiro de 2013, onde o médico cortou a cabeça do meu fêmur sem necessidade e sem autorização, e ainda me colocou uma prótese no quadril que é feita de um material proibido em diversos países, inclusive nos Estados Unidos”, contou.

Em 2016, o paciente buscou ajuda em um outro ortopedista, na cidade de São Paulo. O que, aparentemente seria uma solução, novamente transformou-se em decepção. “Pesquisando, encontrei um profissional em São Paulo, ortopedista de muito sucesso, mas não era especialista em revisão de prótese e tratamento de infecção, a osteomielite. Ele vendeu uma cirurgia e me garantiu que em seis semanas eu estaria bom. O resultado foi que a cirurgia foi um desastre, fiquei quatro meses internado, e levei um ano para me recuperar”, conta.

Michael, que em 2013 havia conseguido se recuperar e voltar a trabalhar, mesmo com a dor, foi demitido após a cirurgia na capital paulisa. “Fui demitido em 2018, após passar por todo esse sofrimento e estando doente. Estava no auge da carreira quando tudo aconteceu. Infelizmente, mesmo sabendo da necessidade de uma nova cirurgia, a empresa me demitiu. Eu costumo dizer que o acidente que começou todo essa sofrimento não foi de carro, mas no hospital”, finalizou o jovem, que agora depende de amigos e internautas para obter os recursos e, assim, conseguir fazer o novo procedimento cirúrgico.

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