A repercussão de casos de violência nas dependências de escolas tornou-se pauta do noticiário pelo Brasil afora e levou o poder público das três esferas – União, Estados e Municípios – a se mobilizar por ações para conter novos ataques, como o registrado em Blumenau-SC. Um recente levantamento revelou que, desde 2002, o Brasil sofreu 23 ataques a escolas.

Segundo a psicopedagoga Leondina Zanut, há diversos fatores que possam ter contribuído para esses índices. “É uma pirâmide, que inclui políticas sociais e de segurança, redes sociais e saúde mental da nossa juventude. A socialização dos nossos jovens hoje é muito diferente da de antigamente”, observa.

A especialista que atua em consultório particular em Volta Redonda cita os efeitos da tecnologia na postura dos mais jovens. “A moçada está toda presa na rede social e sem comunicação. Quem já tem uma saúde social evocada, uma ponta de sofrimento de bullying ou qualquer tipo de situação que envolva a saúde emocional pode cair em uma ideologia de disseminação de ódio por meio das redes sociais. Com isso, os casos estão cada vez maiores, com uma divulgação já histérica, porque se propaga muito rapidamente, causando medo e pânico”, cita.

Leondina reforça que diariamente recebe inúmeras queixas de bullying, onde as crianças são severamente atingidas com palavras tóxicas e ácidas. “Essas vítimas, que já têm uma baixa autoestima, entram na internet e vêm autores, que sempre foram abafados socialmente, criando nomes e viralizando na ideologia criminosa”, relata.

Para a psicopedagoga, os profissionais da educação têm papel fundamental no combate à violência nas escolas e é preciso estarem cada vez mais atentos aos sinais emitidos pelos alunos. “Quantos não são notados, não são observados, estão de capuz dormindo em sala de aula, sem que ninguém olhe por eles? Talvez esse fulano, chamado de desafiador ou de opositor, esteja sofrendo bullying e precisando de ajuda. Portanto, um olhar diferente para ele é fundamental”, destaca.

Ela acrescenta que nenhuma instituição do estado ou município oferece tratamento psicológico aos professores. “E é enorme a incidência de infarto, hipertensão e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) nesses profissionais, porque são ofendidos verbalmente e até fisicamente. Conheço mil casos semelhantes no campo de educação. O relato de professores desgastados, horrorizados, apavorados é sem medida e nada é feito pela saúde mental deles”, afirma.

Na segunda-feira (dia 10), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) encaminhou uma recomendação à secretaria de Estado de Educação para serem adotadas medidas que cumpram as leis (Estadual nº 9295/2021 e Federal nº 13.935) que determinam a contratação de psicólogos para as escolas.

Fake news e as consequências

No caso das ameaças e das fake news, a psicopedagoga Leodina Zanut explica os abalos que podem causar às crianças e a forma que causam prejuízos ao andamento das atividades escolares. “A grande maioria dos meus pacientes está em estado de ansiedade e medo por conta dessa situação toda. Não tem aprendizado, tem medo, fobia, histeria e o coletivo sofre”, comenta.

A especialista em saúde mental lembra as medidas tomadas pela direção das unidades de ensino para dar tranquilidade aos alunos quando ameaças de ataques chegam ao conhecimento e os efeitos que todo esse transtorno causa. “As escolas pedem um camburão, que é o que têm à mão, alteram o calendário de provas e, enquanto isso, as crianças estão deixando de aprender o amor ao próximo, os valores, o respeito, que a escola, como matriz de crescimento e de respeito às individualidades, não tem propagado. O medo tem aumentado e a qualidade de aprendizado caído cada vez mais”, ressalta.

Leondina ainda indica os sinais que pais e responsáveis devem estar atentos. “Quando uma criança entra no quarto, fecha a porta e fica horas no computador ou no celular, imediatamente a família deve intervir. É muito importante rastrear e observar o comportamento, a alimentação, o sono, o aprendizado, as notas. Isso é cuidar da saúde mental da criança”, afirma.

A profissional sugere que os responsáveis fiquem atentos a qualquer comportamento atípico, como uma fala agressiva, frases suicidas, depressivas ou que protagonizem o ódio e a raiva de forma constante. “Nesses casos, a família deve buscar ajuda médica e terapêutica imediatamente, um aliado de valor crucial para se combater esse tipo de ataque. Se a família se preocupasse mais com a qualidade de educação e saúde que oferece para o filho e menos com os recursos materiais, a gente teria uma sociedade mais educada e civilizada”, finaliza a psicopedagoga.

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