A decisão do vereador Raone Ferreira (PSB) de colocar o nome à disposição como candidato a deputado estadual promete embaralhar o tabuleiro político de Volta Redonda para as eleições de outubro de 2026. O movimento, ainda em fase de articulação partidária, já provoca efeitos em cadeia e antecipa um clima de disputa que tradicionalmente só ganharia corpo nos próximos meses, com reflexos que podem ir além do próximo pleito.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que a possível candidatura de Raone pode levar a vereadora Gisele Klingler (PSB) a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, formando uma dobradinha eleitoral com o deputado estadual Jari Oliveira (PSB), que buscará a reeleição à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Caso se confirme, a estratégia indicaria um redesenho das forças do partido no município e reforçaria a aposta do PSB em chapas coordenadas.
Paralelamente, Raone Ferreira já estaria de malas prontas para se filiar ao PT, movimento que, segundo interlocutores do meio político, conta com o apoio do deputado federal Lindbergh Farias, uma das principais lideranças petistas no estado. A iminente mudança de legenda adiciona um novo componente ao cenário local, ampliando o impacto da pré-candidatura para além do campo socialista e reposicionando alianças que podem se refletir também nas disputas futuras.
Surpresa
Nas rodas de conversa da política regional, chama atenção o fato de Raone ter optado por disputar uma vaga na Alerj, e não na Câmara Federal, como inicialmente se especulava. A escolha pode gerar concorrência direta dentro de um mesmo espectro eleitoral.
“Eles [Raone e Jari] vão buscar votos em um segmento muito semelhante do eleitorado, o que pode dividir forças e acabar prejudicando ambos no resultado final”, avaliou um político experiente de Volta Redonda, sob condição de anonimato.
A possível entrada de Raone na corrida por uma cadeira no Legislativo estadual também é vista como um fator de impacto sobre outras candidaturas já consolidadas ou em construção no município. Entre os nomes citados nos bastidores estão o deputado estadual Munir Neto (PSD) e Edson Albertassi, que pretende voltar a disputar uma vaga na Alerj nas eleições deste ano.
Reflexo em 2028
Com um eleitorado estimado em 225 mil eleitores aptos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Volta Redonda segue como um dos principais polos de disputa política do Sul Fluminense. Lideranças locais avaliam que as alianças, divisões e disputas construídas em 2026 tendem a influenciar diretamente o xadrez político da cidade na eleição municipal de 2028, quando estará em jogo a sucessão ao Palácio 17 de Julho.
“O que estamos vendo agora é apenas o começo. Tudo indica que o cenário de 2028 já está sendo moldado por estas movimentações”, disse uma liderança política local, sob condição de anonimato.











































