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2026 começa sem perspectivas de reabertura do Cais Conforto para usuários do SUS em VR

O ano de 2026 começou sem qualquer sinal concreto de reabertura do Cais Conforto, unidade intermediária da Rede de Urgência e Emergência de Volta Redonda, fechada desde julho de 2022. Passados mais de três anos desde a interrupção dos atendimentos, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) seguem sem acesso ao equipamento, enquanto a Prefeitura não se pronuncia oficialmente sobre o futuro da unidade.

Inicialmente, a reabertura do Cais Conforto chegou a ser anunciada para abril de 2023, prazo que nunca se concretizou. Desde então, novas previsões deixaram de ser formalmente divulgadas. Atualmente, o imóvel é ocupado apenas por agentes da Guarda Municipal, responsáveis pela segurança patrimonial do local.

Em diferentes ocasiões, o prefeito Neto (PP) atribuiu a não reabertura ao alto custo mensal da folha de pagamento, estimado em cerca de R$ 600 mil. Mesmo assim, declarações públicas posteriores criaram expectativa de retomada dos serviços.

No dia 7 de agosto de 2025, durante entrevista a um programa de rádio, o prefeito afirmou: “Eu dei a minha palavra ao vereador Neném (PP). Em 45 dias ele estará entregue à população, a todo vapor”. Mais de cinco meses depois da declaração, Volta Redonda chega à reta final de janeiro de 2026 sem qualquer movimentação visível para a reativação da unidade.

Atrasos recorrentes

O caso do Cais Conforto não é isolado no histórico recente da saúde pública municipal. Outras obras hospitalares importantes também enfrentaram longos períodos de atraso. O Hospital Regional Zilda Arns, no bairro Roma, teve as obras iniciadas em maio de 2011 e foi concluído apenas em dezembro de 2016.

Já a ampliação do Hospital São João Batista, no bairro Colina, chegou a ser anunciada para inauguração nos aniversários da cidade em julho de 2024 e 2025, mas ambos os prazos foram adiados.

Calamidade financeira prorrogada

Em meio a esse cenário, a Prefeitura de Volta Redonda prorrogou por mais 180 dias o estado de calamidade financeira na área da saúde, por meio do Decreto nº 19.706, publicado em 18 de novembro de 2025. A decisão foi tomada sem anúncio prévio ou explicações públicas detalhadas, mantendo o município sob regime excepcional pelo terceiro ano consecutivo.

Segundo o decreto, o município enfrenta um “persistente e grave desequilíbrio entre os recursos disponíveis e os custos reais necessários para a manutenção da assistência em saúde pública”. O texto aponta um déficit mensal estimado em R$ 5 milhões apenas para custear os procedimentos previstos na tabela SIGTAP do SUS, além da necessidade de complementação de cerca de R$ 250 mil mensais para serviços essenciais não integralmente cobertos pelo sistema.

Outro ponto sensível é o financiamento da oncologia. De acordo com o governo municipal, Volta Redonda arca com aproximadamente R$ 450 mil por mês em custos que deveriam ser compartilhados com o governo estadual. O decreto também destaca que o município, por ser referência regional, atende pacientes de cidades vizinhas e até de outros estados, como Minas Gerais e São Paulo, o que representaria cerca de 30% dos atendimentos da rede municipal.

Reconhecimento da crise

A situação de fragilidade da saúde pública municipal ganhou respaldo institucional em junho, quando a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em discussão única e regime de urgência, o projeto de lei que reconhece oficialmente o estado de calamidade financeira na área da saúde pública de Volta Redonda. O projeto foi posteriormente sancionado pelo governador Cláudio Castro (PL).

O reconhecimento pela Alerj permite que a Prefeitura tenha acesso mais ágil a recursos estaduais e federais, além de possibilitar a flexibilização de regras fiscais e administrativas. Na prática, a medida autoriza o município a realizar gastos emergenciais fora das restrições usuais do orçamento, com o objetivo de garantir a continuidade de serviços considerados essenciais.

Programas sob risco

O decreto municipal também aponta riscos à continuidade de programas considerados estratégicos, como o Centro Cardiológico Municipal e a Linha de Atenção Oncológica, alertando para a possibilidade de comprometimento na realização de exames, laudos diagnósticos e ações de prevenção e detecção precoce de doenças graves.

Além disso, são citados o custeio do tratamento com canabidiol, mantido exclusivamente com recursos do município, e o projeto Revi-VER, responsável por mais de 25 mil cirurgias de catarata, que, segundo o governo, corre risco de descontinuidade devido ao subfinanciamento do SUS.

Com a prorrogação, o estado de calamidade financeira na área da saúde permanece válido até maio de 2026, podendo ser renovado novamente caso o governo considere persistentes as causas que motivaram a decisão. Enquanto isso, a reabertura do Cais Conforto segue indefinida, simbolizando para muitos usuários do SUS mais um capítulo de incerteza em meio à crise prolongada da saúde pública em Volta Redonda.

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