A Prefeitura de Volta Redonda vai tentar reforçar o caixa municipal por meio da venda da folha de pagamento dos servidores públicos. A estratégia, adotada pelo prefeito Neto (PP), prevê a arrecadação mínima de R$ 39,2 milhões com a contratação de uma instituição financeira responsável pela gestão dos serviços bancários do funcionalismo.
A licitação está marcada para a próxima terça-feira (dia 5), às 9h, quando serão abertos os envelopes com as propostas das instituições interessadas. O critério definido no edital é o de maior oferta, o que deve estimular a disputa entre bancos públicos e privados com atuação no município.
Pelas regras do edital, o banco vencedor terá exclusividade no pagamento dos salários de servidores ativos, inativos e pensionistas, além de centralizar a movimentação financeira da prefeitura, incluindo pagamentos a fornecedores. O contrato terá duração de cinco anos e prevê ainda a oferta de crédito consignado aos servidores, modalidade que costuma ser uma das principais fontes de interesse das instituições financeiras nesse tipo de operação.
Dinheiro no cofre
O modelo adotado garante à prefeitura o recebimento do valor ofertado em até dez dias após a assinatura do contrato, sem custos diretos para o município. Em contrapartida, a instituição financeira passa a ter acesso a uma base estável de clientes. Segundo dados do Portal da Transparência, Volta Redonda conta atualmente com aproximadamente 15 mil servidores, entre ativos e inativos, o que representa um volume significativo de movimentação financeira mensal, fator que ajuda a explicar o interesse dos bancos e a competitividade nesse tipo de licitação.
O edital também estabelece exigências operacionais relevantes. A instituição vencedora deverá manter ou instalar agência no município, garantir estrutura para atendimento aos servidores e disponibilizar sistemas compatíveis com a administração pública para o processamento da folha. Além disso, deverá assegurar serviços básicos gratuitos, como abertura de contas e fornecimento de cartão de débito, dentro das regras do sistema financeiro.
Cenário de incerteza
A iniciativa ocorre em um cenário de dificuldades fiscais enfrentadas pelo município, mesmo com um orçamento estimado em mais de R$ 2 bilhões para 2026. Em novembro do ano passado, o prefeito editou decreto prorrogando por 180 dias a situação de desequilíbrio nas contas públicas, especialmente na área da saúde. O prazo da medida se encerra nos próximos dias, sem que haja, até o momento, sinalização clara sobre quais providências o Palácio 17 de Julho pretende adotar diante do quadro.
Diante desse cenário, a venda da folha de pagamento surge como uma alternativa de geração de receita extraordinária, adotada por diversas prefeituras em momentos de pressão fiscal.












































