O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, na manhã desta terça-feira (dia 7), a Operação Hidra de Lerna, que investiga um suposto esquema de corrupção e irregularidades na concessão de licenças ambientais no Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e na Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca).
A pedido do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF), a Justiça determinou o afastamento cautelar do presidente da Ceca e servidor efetivo do Inea, Maurício Couto Cesar Junior. Também foram expedidos mandados de busca e apreensão contra ele e outros servidores da autarquia estadual, cumpridos por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público.
Entre os alvos das buscas estão ainda o ex-presidente do Inea, Renato Jordão Bussiere, e o ex-vice-presidente do órgão, José Dias da Silva.
Segundo o Ministério Público, a investigação aponta indícios da prática dos crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e crimes ambientais. As suspeitas envolvem a concessão de licenças ambientais e autorizações que teriam sido emitidas em desacordo com pareceres técnicos, exigências legais e procedimentos administrativos.
De acordo com o GAESF, decisões tomadas entre 2024 e 2025 no âmbito do Inea e da Ceca teriam beneficiado empreendimentos classificados como de alto impacto ambiental. Entre as supostas irregularidades investigadas estão a emissão de licenças de instalação e de operação, além da dispensa da elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do respectivo Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima), apesar de manifestações contrárias de setores técnicos do próprio Inea e de órgãos federais, como o Ibama.
Além das buscas, a 1ª Vara das Garantias da Comarca da Capital autorizou a quebra do sigilo dos aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação. A decisão judicial também proibiu Maurício Couto Cesar Junior de acessar as dependências do Inea e da Ceca, bem como de manter contato com servidores dos órgãos enquanto perdurarem as medidas cautelares.
O nome da operação, Hidra de Lerna, faz referência à criatura da mitologia grega de múltiplas cabeças. Segundo o Ministério Público, a denominação simboliza a suposta ramificação de práticas ilícitas investigadas no órgão ambiental estadual.
Até a publicação desta reportagem, as defesas de Maurício Couto Cesar Junior, Renato Jordão Bussiere e José Dias da Silva não haviam se manifestado sobre as acusações.
Foto: reprodução













































