20.4 C
V Redonda
domingo, março 1, 2026
Início Política CPI da Alerj aponta falta de transparência nas regras de abatimento dos...

CPI da Alerj aponta falta de transparência nas regras de abatimento dos royalties do petróleo

A CPI dos Royalties e Participações Especiais, instalada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), analisou, nesta segunda-feira (dia 26), regras que definem critérios de cálculos e cobrança dos repasses governamentais e abatimentos do setor de petróleo e gás. Para o presidente da CPI, deputado Luiz Paulo (Cidadania), a audiência reforçou o entendimento de que há falta de transparência nos dados e que o sistema precisa ser aprimorado, com melhor compartilhamento de informações.

“Ficou muito claro a falta de controle que há, quanto aos abatimentos na participação especial e também a possibilidade de interpretações dúbias sobre a resolução da ANP. A reunião foi muito proveitosa e mostrou a necessidade de termos regras claras e transparentes”, ressaltou o parlamentar.
A integrante da Assessoria Fiscal da Alerj, Magda Chambriard, fez uma apresentação detalhada do Decreto 2705/1998, do Poder Executivo Federal, e da Resolução 12/2014 da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que normatizam os repasses e deduções.

“Existem sim questões que não estão claras para o Rio de Janeiro na dedução de participações especiais e também a respeito dos royalties, quanto ao volume excedente em campos de contrato de cessão onerosa. A ANP é responsável pela transparência sobre os critérios de abatimento. É importante que as concessionárias utilizem os mesmos critérios de rateio campo a campo, e a ANP tem que explicitar quanto óleo está sendo produzido por campo, dentro dos critérios de partilha e cessão onerosa”, destacou a Madga.

Representantes do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) apresentaram dados do setor, ressaltando que a entidade faz análise gerais da produção, não dispondo de informações sobre abatimentos. Segundo a entidade, dos 14 campos de exploração do país passíveis de pagamento de Participação Especial (PEs), oito estão no Rio de Janeiro. O setor de óleo e gás é responsável por aproximadamente 25% da arrecadação do estado. Há 20 anos, era cerca de 14%. Mas, atualmente, vem sofrendo reflexos da atual crise econômica.

“A pandemia afetou muito o setor, com redução expressiva da demanda por petróleo. Houve uma queda de investimentos, onde a previsão é de US$253 bilhões a menos em relação a 2019′, afirmou o diretor-executivo da ANP, Flávio Vianna.

Relator da CPI, o deputado Márcio Pacheco (PSC) reforçou que os recursos do setor são vitais para a recuperação econômica do Estado e afirmou que a intenção dos parlamentares é ampliar a transparência nessas apurações. “O Rio de Janeiro está perdendo muito. Tenho convicção de que encontraremos uma maneira eficaz de arrecadar mais com as revisões dos cálculos”, disse o relator.

O gerente do IBP, Matias Lopes, afirmou que o instituto tem cooperado na busca por transparência. Segundo ele, as informações enviadas à ANP são espelhadas em um banco de dados, ao qual o governo tem acesso.

“A ANP deve legislar onde não há legislação. Não se deve inovar onde a lei não inovou. O IBP tem atuado para auxiliar na garantia de transparência das informações e no aprimoramento legal e regulatório”, informou Matias.

Estrutura de fiscalização

O deputado Luiz Paulo lembrou que a ANP conta com quatro auditores para fazer a fiscalização das receitas compensatórias, o que, para ele, reforça a necessidade de atuação conjunta da agência com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).

“É mais um motivo para que a Sefaz faça um convênio com a ANP e audite intensamente esses abatimentos”, disse o deputado. A deputada Martha Rocha (PDT) afirmou que a apresentação de Magda Chambriard evidenciou a total ausência de transparência do sistema.

“Há, por parte do Governo Federal, uma política de desinvestimento na Bacia de Campos; além de uma incapacidade da ANP de fazer um acompanhamento e uma auditoria. A CPI tem que criar ferramentas de controle no Legislativo para ter esses dados e poder fazer uma análise concreta para conseguir fornecer, em parceria com a Sefaz, um roteiro de acompanhamento e cobrança”, afirmou.

Na próxima segunda-feira (dia 3) a comissão irá se reunir novamente com o IBP e Magda Chambriard, para debater os abatimentos feitos na produção de gás e suas especificidades.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.