Volta Redonda caminha na contramão da geração de empregos no Sul Fluminense em 2026. Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o município perdeu 1.291 postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e maio deste ano. O resultado é o pior entre as principais cidades da região e contrasta com o desempenho de Porto Real, que criou 917 vagas no período, e de Resende, com saldo positivo de 235 empregos.
No acumulado do Estado do Rio de Janeiro entre janeiro e maio, o cenário é positivo. Foram registradas 752.929 admissões e 710.254 desligamentos, resultando em um saldo de 42.675 vagas formais. Somente no mês de maio, o estado criou 9.195 empregos, com 148.304 contratações e 139.109 demissões.
Apesar do resultado negativo acumulado, Volta Redonda apresentou uma reação nos últimos meses. Em maio, o município registreu saldo positivo de 50 vagas, dando sequência ao movimento de recuperação iniciado em março, após um forte recuo registrado em fevereiro.
O setor de serviços foi o principal responsável pelo desempenho negativo da cidade. Das 1.291 vagas perdidas no ano, 1.114 estão concentradas nesse segmento. A indústria fechou 153 postos de trabalho, o comércio perdeu 16 vagas, enquanto construção civil e agropecuária tiveram redução de quatro postos cada.

De acordo com a Gerência de Estudos Econômicos da Firjan, o resultado foi provocado por um movimento pontual, concentrado em uma única atividade econômica. Segundo a entidade, praticamente todo o saldo negativo do setor de serviços está relacionado às atividades de atenção à saúde humana, especialmente às atividades de apoio à gestão de saúde, que, sozinhas, responderam pela perda de 1.202 vagas.
A Firjan destaca que esse movimento esteve concentrado principalmente no mês de fevereiro e pode estar relacionado a fatores administrativos locais, como transições, reajustes ou encerramentos de contratos de prestação de serviços no âmbito municipal. A entidade ressalta que, após esse período, Volta Redonda voltou a registrar saldos positivos em março, abril e maio, indicando uma retomada da atividade econômica.
Enquanto Volta Redonda enfrentou dificuldades, Porto Real e Resende mantiveram desempenho positivo impulsionado pela indústria automotiva e pela cadeia de fornecedores do setor, que continuam sustentando a criação de empregos formais na região. Segundo a Firjan, a diferença entre os municípios reflete as características de suas bases econômicas e movimentos específicos de cada setor, e não uma tendência única para todo o Sul Fluminense.
Comparação com anos anteriores
Embora o saldo acumulado deste ano seja negativo, ele ainda é melhor do que o registrado no mesmo período de 2025, quando Volta Redonda havia perdido 1.931 empregos formais entre janeiro e maio. Em contrapartida, representa uma forte deterioração em relação a 2024, quando o município acumulava saldo positivo de 2.427 vagas no mesmo intervalo.
O desempenho de maio também mostra uma recuperação gradual. Após registrar saldo negativo de 1.426 empregos em maio de 2020, durante a pandemia, Volta Redonda voltou a apresentar resultados positivos nos anos seguintes: 304 vagas em 2021, 216 em 2022, 587 em 2023, 524 em 2024, 134 em 2025 e, agora, 50 postos de trabalho em maio de 2026.
Perspectivas
Para os próximos meses, a Firjan avalia que o mercado de trabalho continuará sendo influenciado pelo cenário econômico nacional. A manutenção da taxa básica de juros em níveis elevados tende a restringir o crédito e reduzir o ritmo de expansão dos negócios. Ao mesmo tempo, a baixa taxa de desemprego e o aumento da renda dos trabalhadores continuam sustentando o consumo e a demanda por serviços.
A entidade acredita que esse equilíbrio deve evitar uma desaceleração mais intensa da economia local no segundo semestre. Entre os setores com maior potencial para gerar empregos na região estão a cadeia automotiva, educação, serviços empresariais e atividades de intermediação de mão de obra.
Em Volta Redonda, a Firjan ressalta que, apesar do saldo negativo acumulado, áreas como educação, construção de edifícios e serviços de recreação e lazer continuam contratando. Para ampliar a geração de vagas, a entidade defende ações voltadas ao fortalecimento do ambiente de negócios, estímulo aos investimentos produtivos e programas permanentes de qualificação profissional, em parceria entre o poder público e o setor produtivo.












































