Prefeitura de Volta Redonda recusou proposta de investimento do Banco Master

A prefeitura de Volta Redonda esteve perto de aplicar recursos municipais no Banco Master, instituição que entrou em regime de administração especial temporária após a prisão de seu presidente, Daniel Vorcaro. A informação foi revelada pelo prefeito Neto (PP) na manhã de quinta-feira (dia 27), durante entrevista ao Programa Dário de Paula, na Rádio Sintonia do Vale.

Segundo Neto, representantes do banco estiveram recentemente em seu gabinete oferecendo um pacote de benefícios para aplicações das verbas municipais. O prefeito não detalhou quais propostas foram apresentadas, mas afirmou que decidiu não seguir adiante após orientação de Gothardo Netto, conhecido como Gothardinho, que atua no mercado financeiro e é filho do ex-prefeito Gothardo Lopes Netto.

O Banco Master tornou-se alvo de investigações após a prisão preventiva de Vorcaro, em 17 de novembro, sob acusação de fraudes que, segundo a Polícia Federal, podem chegar a R$ 12 bilhões. Três dias depois, a Justiça manteve a prisão, negando pedido de habeas corpus feito pela defesa do banqueiro. No último dia 18, o Banco Central decretou regime de administração especial temporária por 120 dias e iniciou a liquidação do conglomerado.

A crise da instituição já atinge órgãos públicos do Estado do Rio de Janeiro. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) informou ter aplicado R$ 200 milhões no Master em outubro de 2023, operação realizada, segundo nota, “de acordo com as políticas de investimento, governança e compliance”. O caso é analisado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

O deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSD) afirmou que o total aplicado pela Cedae em CDBs do banco ultrapassa R$ 218 milhões, com a justificativa de “alta liquidez e baixo risco”. A companhia declarou que o rendimento obtido foi acima da média do mercado e que a política de investimentos adotada em 2022 contribuiu para três anos consecutivos de balanços superavitários.

A Cedae também informou que iniciou o resgate dos valores em setembro deste ano, após o Master sofrer rebaixamento no grau de investimento. Até o dia 17, segundo a empresa, os compromissos estavam sendo honrados. Com o atraso de uma parcela, a companhia comunicou o fato relevante à CVM e disse aguardar a evolução das apurações para definir medidas jurídicas.

Outro órgão impactado é o Rioprevidência, fundo que paga aposentadorias e pensões a 235 mil servidores inativos do estado. A entidade aplicou cerca de R$ 960 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master S.A. ao longo de 2024 e 2025, atraída por taxas consideradas mais vantajosas que as de concorrentes. Em nota, o fundo afirmou que a operação permanece “regular, adimplente e plenamente enquadrada nos parâmetros legais e prudenciais”.

A declaração do prefeito Neto indica que Volta Redonda poderia ter se somado aos entes públicos afetados, caso tivesse seguido com o investimento proposto. Ele não informou se haverá encaminhamento de relatório à Controladoria-Geral do Município ou ao Ministério Público, nem se pretende detalhar o teor das reuniões mantidas com representantes do banco.

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