Vereador solicita esclarecimentos à CSN após notícias sobre possível venda de ativos da siderurgia

O vereador Rodrigo Furtado (PL) protocolou, na tarde de quarta-feira (dia 28), ofício diretamente junto à administração da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda, solicitando esclarecimentos oficiais sobre reportagens veiculadas pela imprensa econômica nacional. As matérias, publicadas pelo jornal Valor Econômico, mencionam estudos para a possível venda de ativos da empresa, incluindo a Usina Presidente Vargas (UPV), principal unidade industrial instalada na cidade.

Além do ofício, o parlamentar protocolou na Câmara Municipal um requerimento formal, a ser encaminhado oficialmente à CSN, reforçando a mesma solicitação de informações. A iniciativa ocorre após a publicação que provocou preocupação entre trabalhadores, fornecedores, comerciantes e a população local, diante dos potenciais impactos econômicos e sociais que uma eventual venda de ativos da CSN poderia provocar.

“Os pedidos têm caráter institucional e informativo, sem qualquer interferência na gestão da empresa. A CSN tem uma importância histórica, econômica e social inquestionável para Volta Redonda. Diante de informações que causam apreensão na população, é dever do representante público buscar esclarecimentos e garantir transparência”, afirmou Furtado.

Nos documentos, o vereador solicita que a empresa informe se procedem as notícias sobre a eventual venda de ativos, especialmente no que diz respeito à Usina Presidente Vargas, esclarecendo se existem estudos ou avaliações em andamento e quais seriam, em linhas gerais, seus limites. Ambos os pedidos também questionam se eventuais análises incluem imóveis urbanos não diretamente ligados ao pátio fabril, como clubes mantidos pela CSN e terrenos localizados nos bairros Aero Clube e Aterrado.

Rodrigo Furtado destacou que qualquer decisão envolvendo ativos da CSN pode gerar reflexos diretos sobre empregos, arrecadação municipal, comércio local e ordenamento urbano. “Volta Redonda nasceu e se desenvolveu junto com a CSN. Buscar informações claras é uma forma de proteger o interesse público e dar tranquilidade à população”, reforçou.

O parlamentar informou que a CSN respondeu ao ofício na tarde de quinta-feira, com base nas informações já repassadas ao Conselho de Administração e ao mercado. Ele acrescentou que seguirá acompanhando o tema e manterá a sociedade informada sobre os desdobramentos.

Fato Relevante

A notícia que motivou a solicitação de esclarecimentos baseia-se no Fato Relevante publicado pela CSN em 15 de janeiro, no qual o Conselho de Administração autorizou a administração a iniciar um projeto de alienação estruturada de ativos importantes, com o objetivo de equacionar a estrutura de capital do grupo.

O comunicado indicou estratégias de curto prazo, incluindo a potencial venda de participação relevante no segmento de infraestrutura, a possível venda de controle da CSN Cimentos Brasil S.A. e a avaliação de alternativas e parcerias com foco na maximização da geração de caixa do segmento de siderurgia. Um cronograma estimado prevê início imediato e conclusão das operações até o final de 2026.

A CSN ressaltou, porém, que não existem compradores definidos, nem decisões tomadas quanto à venda de seu segmento de siderurgia. O comunicado enfatizou que o estágio atual envolve apenas “avaliação de alternativas/parcerias com foco na maximização da geração de caixa no curto prazo”, sem que haja qualquer conclusão ou fato relevante a ser comunicado oficialmente.

“Nem mesmo o assessor financeiro foi contratado para essa operação específica, o que evidencia o estágio inicial dessa avaliação. As informações divulgadas não constituem novas projeções nem fatos relevantes ainda não informados, e a CSN confirma seu compromisso de manter acionistas e mercado devidamente informados”, afirmou Antonio Marco Campos Rabello, Diretor Executivo de Finanças e Relações com Investidores, em nota na última terça-feira (dia 27).

Representantes do MEP alertam para riscos

A notícia sobre a possível venda total ou parcial da CSN reacendeu preocupações em Volta Redonda, principal planta industrial da cidade, e, para Raphael Lima, conselheiro do Movimento Ética na Política (MEP) e pesquisador da UFF, o cenário exige atenção.

“É pouco provável que [Benjamin] Steinbruch fique indefinidamente com a empresa. A venda integral ou parcial é algo esperado. O problema é que isso, por si só, já representa um risco para a cidade: quem compra e o que fará com a usina?”, questiona.

Segundo o pesquisador, a CSN busca reduzir sua alavancagem financeira por meio da venda de ativos que rendem menos, como a produção de cimento, e explorar parcerias ou vendas na siderurgia, mantendo o foco na mineração, que é o setor de maior retorno.

Raphael também alerta para o impacto da agenda ambiental e da descarbonização da indústria, que exigirá investimentos pesados em modernização tecnológica, caso contrário, a empresa terá que adquirir créditos de carbono de outras companhias, o que representa um desafio adicional.

O conselheiro reforça que o possível desmonte ou venda da siderurgia deve ser acompanhado de perto pela sociedade civil, pelo poder público e pelos trabalhadores. “A CSN não é apenas um ativo econômico. Ela estrutura a cidade, impacta o meio ambiente, o emprego e a arrecadação. Qualquer negociação precisa ser tratada com transparência e responsabilidade social”, conclui.

Para José Maria da Silva, o Zezinho do MEP, diretor da entidade, as observações do especialista são pertinentes e servirão como base para ampliar o debate com outras instituições.

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