Centenas de moradores, empresários e representantes do setor turístico participaram, na noite desta quarta-feira (dia 14), de uma audiência pública realizada na praça central da Vila do Abraão, em frente ao cruzeiro, na Ilha Grande, para discutir a polêmica taxa de turismo aprovada pela Prefeitura de Angra dos Reis.
Inicialmente, o encontro estava previsto para acontecer na quadra poliesportiva da comunidade, mas, segundo os organizadores, a Prefeitura de Angra dos Reis proibiu a realização do evento no local um dia antes da audiência, alegando a necessidade de pintura da quadra. A mudança de última hora gerou críticas entre moradores e participantes do debate.
A audiência contou com a presença dos deputados estaduais Marcelo Dino e Jorge Felipe Neto, ambos do PL, além de representantes do setor hoteleiro, comerciantes e lideranças locais.
“Essa taxa cria transtorno, prejudica o turismo, afeta quem gera emprego, impacta moradores e visitantes e dificulta ainda mais a vida de quem já enfrenta tantos desafios diariamente. Nós vamos lutar contra essa taxa. Seja na justiça, no Tribunal de Contas e onde mais for necessário”, reforçou o deputado Marcelo Dino.
A medida prevê a cobrança por visitante para entrada na Ilha Grande e vem sendo alvo de fortes críticas de entidades ligadas ao turismo. A Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande voltou a manifestar repúdio à proposta, classificando a cobrança como injusta e prejudicial à economia local.
Segundo a associação, o impacto financeiro poderá afastar turistas e dificultar o acesso de famílias ao destino turístico. “Um casal com dois filhos gastará quase R$ 1.180 apenas com barco e taxa. Isso é incentivo ao turismo?”, questionou a entidade durante o debate.
Outro ponto levantado na audiência foi um estudo técnico elaborado pela própria Prefeitura de Angra dos Reis, utilizado como base para a proposta. De acordo com representantes do setor, o documento recomendava uma taxa de apenas R$ 2,70, com recursos destinados exclusivamente a um fundo de preservação ambiental da Ilha Grande — e não ao caixa geral do município, como prevê a legislação aprovada.
Para empresários e moradores presentes, a cobrança representa um risco direto à economia da ilha, que depende fortemente da atividade turística.
“Ordenamento se faz com gestão, não com taxação. A AMHIG é contra e vai continuar lutando contra essa vergonha e a favor de um turismo realmente sustentável na Ilha Grande”, destacou a associação através de seu representante Frederico Gomes.
Foto: Divulgação













































