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terça-feira, julho 14, 2026
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Arraiá da Resistência celebra 15 anos de luta e a conquista de 56 moradias no programa MCMV-E

Após 15 anos de organização, resistência e mobilização comunitária, a Ocupação 9 de Novembro realizou, no último domingo (dia 12), o Arraiá da Resistência, celebrando uma das maiores conquistas de sua história: o inicio da construção de 56 unidades habitacionais por meio do programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades ,MCMV-E. O encontro reuniu moradores, lideranças populares, representantes de instituições e movimentos sociais em um ambiente de confraternização, cultura popular e reafirmação do direito à moradia digna.

A festa foi marcada por apresentações culturais, momentos de integração entre as famílias e reflexões sobre a importância das políticas públicas habitacionais construídas com participação popular. Para os moradores, o Arraiá simbolizou muito mais que uma celebração junina: representou a vitória da perseverança diante de anos de incertezas e dificuldades.

A coordenadora nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Maria de Lourdes da Fonseca (Ludinha), destacou que a conquista é fruto da organização coletiva das famílias e da persistência do movimento. Ela ressaltou que o programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades demonstra que a participação popular é fundamental para garantir moradias de qualidade e fortalecer a cidadania. Ludinha também recordou o apoio recebido ao longo da caminhada, destacando a atuação do Procurador da República Júlio Araújo, que, ainda como juiz federal, acompanhou momentos importantes desse processo.

A vereadora do município de Petrópolis, Júlia Casamasso (PSOL) participou da atividade para conhecer a experiência da Ocupação 9 de Novembro. Segundo ela, seu município enfrenta um déficit habitacional superior a 70 mil pessoas, muitas vivendo em áreas de risco e vulneráveis aos frequentes desastres socioambientais. A parlamentar afirmou que iniciativas como a desenvolvida em Volta Redonda servem de referência para fortalecer a luta por políticas públicas de habitação construídas com participação popular e planejamento urbano.

Um dos momentos mais emocionantes foi o depoimento das futuras moradoras. Entre elas, Gabriele, que chegou à ocupação ainda na pré-adolescência e hoje, já mãe, aguarda a realização do sonho da casa própria. Emocionada, resumiu o sentimento coletivo das famílias: “Ter minha casa e poder oferecer um lar para minha filha é a realização de um sonho.”

Também estiveram no local o vigário episcopal para a Dignidade da Pessoa Humana e do Meio Ambiente, Pe. Juarez Sampaio, que destacou a moradia como expressão da dignidade humana e lembrou o compromisso da Igreja com a justiça social, em sintonia com a Campanha da Fraternidade sobre moradia, e José Maria da Silva (Zezinho), representando o Movimento Ética na Política (MEP.VR), que manifestou solidariedade às famílias e reafirmou o compromisso do movimento com a defesa da moradia, da cidadania e dos direitos humanos.

“O congraçamento reafirmou que a conquista da casa própria é resultado da união, da organização popular e da perseverança de dezenas de famílias que jamais desistiram de lutar. Quinze anos depois do início da ocupação, a comunidade celebra não apenas a construção de 56 moradias, mas a certeza de que a participação coletiva continua sendo o caminho para transformar direitos em realidade e construir cidades mais justas e inclusivas”, reafirmou Paulo Lopes, coordenador da ocupação 9 de Novembro.

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