Foram precisos praticamente 17 anos para o prefeito de Volta Redonda, Neto (DEM), compreender a importância de uma relação institucional de proximidade do Executivo municipal com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A empresa é a que mais gera receita aos cofres do Município com o pagamento de impostos, como o IPTU, que este ano foi dividido em seis parcelas de R$ 8 milhões. Ou seja, R$ 48 milhões no total.

Publicamente, a bandeira branca começou a ser acenada na quarta-feira (dia 13), com uma reunião no Palácio 17 de Julho com diretores da CSN. As conversas, porém, iniciaram bem antes, com a participação direta de dois personagens centrais: o governador Cláudio Castro (PL) e o empresário Rogério Loureiro, assessor especial do governo municipal.

“Ambos [Castro e Loureiro] conseguiram mostrar ao prefeito e representantes da CSN que é preciso, no mínimo, manter um canal aberto de diálogo. Finalmente parece que o Neto entendeu essa importância”, revelou uma fonte da Folha do Aço, que pediu para não ser identificada.  

Com o sinal positivo do chefe do Executivo, ainda no início do ano, os contatos para uma reunião começaram a ser feitos por interlocutores. A princípio, a ideia era juntar Neto e o presidente do grupo CSN, Benjamin Steinbruch, na mesma mesa. Questões de agenda e o surgimento da nova variante de Coronavírus surgiram como novos obstáculos, impossibilitando tal encontro.

Outro ponto que facilitou o agendamento deste primeiro encontro foi a presença de Marconi Perillo. O ex-governador do estado de Goiás atualmente é assessor da presidência da CSN. “Eles falam a mesma língua, que é da política, o que possibilita um entendimento mais fácil, diferente do Benjamin, que visa mais a parte empresarial”, salientou a mesma fonte. 

No encontro de quarta-feira, estiveram presentes, por parte da CSN, Marconi Perillo, o diretor de Relações Institucionais, Luiz Paulo Barreto, além dos responsáveis pelos departamentos de Patrimônio, Imobiliário e Mineração. Em entrevista ao jornal Diário do Vale, Neto ratificou que a reunião foi norteada pela palavra “entendimento”.

“Foi uma honra receber os dirigentes da CSN e, principalmente, poder dizer que abrimos conversas que possibilitarão melhorias para a cidade e para a empresa. Temos uma equipe voltada para essa nova realidade, com a certeza de que todos sairão ganhando com o entendimento”, disse Neto.

Com o estreitamento da relação, novos debates para tratar de investimentos e parcerias estão previstos para ocorrer nas próximas semanas. O prefeito destacou que há um desejo mútuo de fazer a cidade e a CSN se desenvolverem juntos nos próximos anos.

“Agradecemos muito o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, pela vinda desta comitiva a Volta Redonda. Somos sempre muito gratos a todos que desejam investir em Volta Redonda, mas sendo a CSN isso é ainda mais especial” destacou Neto. Demorou, mas parece que finalmente o chefe do Executivo entendeu que tanto Volta Redonda quanto a maior empresa instalada no município podem conviver de maneira civilizada.

Investimento na Sinterização está previsto no TAC

Ao final do encontro da última quarta-feira, a Prefeitura de Volta Redonda divulgou que a direção da CSN confirmou que já estão programados investimentos para modernização da Sinterização e Coqueria na Usina Presidente Vargas. A estratégia, claro, é que Neto capitalize politicamente em cima de um fato que, certamente, irá movimentar a economia da cidade, com a geração de novos postos temporários de trabalho.

Todavia, um ponto não pode deixar de ser lembrado. As negociações para o reparo dos equipamentos foram concluídas em setembro de 2018, portanto, quando Neto não estava à frente da Prefeitura. Na oportunidade, a CSN firmou um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para adequação da Usina às normas ambientais exigidas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

O Plano de Ação contempla todas as desconformidades ambientais com ações específicas para corrigir cada uma delas. O trabalho foi conduzido por uma equipe multidisciplinar composta por analistas indicados pelo Conselho Diretor do Inea, a partir de uma deliberação da Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA), emitida em dezembro de 2017 e que incumbiu o órgão estadual dessa tarefa.

Após a apresentação do Plano de Ação, realizada pelos técnicos do Inea, a CECA aprovou por unanimidade a assinatura do TAC, que garante a execução das ações de adequação ambiental da CSN no período de seis anos. O prazo expira em 2024.

Desse conjunto de 35 ações, duas delas serão responsáveis por resolver o problema das partículas de pó preto que, frequentemente, são lançadas na atmosfera pela siderúrgica. A instalação de equipamentos modernos de controle da emissão nas sinterizações (precipitadores eletrostáticos) e o enclausuramento das correias que transportam materiais particulados no interior da Usina irão impedir o lançamento das partículas do pó preto.

Nenhum dos inúmeros TACs que já foram firmados entre a empresa e o órgão ambiental estadual, desde 1994, quando foi assinado o primeiro Termo de Ajustamento de Conduta, contemplava ações como estas que, por si só, vão produzir uma significativa melhora na qualidade do ar para os moradores de Volta Redonda e arredores.

No final de 2017, a CSN correu o risco de ter as atividades paralisadas. O não cumprimento total do TAC, em março de 2016, provocou uma manifestação do Inea junto à Usina pedindo a paralisação da mesma. Na ocasião, a CECA chegou a conceder um prazo de dez dias para a empresa apresentar um cronograma de cumprimento e encerramento total do TAC, sob ameaça de interdição.

Com o intuito de agilizar e fazer com que a empresa cumprisse com suas responsabilidades ambientais, uma nova deliberação foi assinada, concedendo um prazo de 180 dias para que a CSN atendesse todas as normas do TAC, sob pena de ter as atividades suspensas. Para isso, a empresa assinou um acordo com a secretaria de Estado do Ambiente e o Inea, onde aceitou entrar em tratativas com os dois órgãos, resultando na assinatura deste novo TAC.

A partir desta data, a CSN incorporou o Plano de Ação proposto pelo Inea, que envolve investimentos no valor total de R$ 303 milhões em adequações por parte da Usina, que irão refletir na melhora da qualidade de vida dos moradores da região.

Foto: Divulgação

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.