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segunda-feira, maio 25, 2026
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Neto anuncia aposentadoria política e VR revive o clássico “Será?”

Se você sintonizou o rádio na manhã de quinta-feira (dia 21) e ouviu o prefeito Neto (PP) anunciar que vai deixar a vida pública ao final de seu mandato, o seu cérebro provavelmente ativou a trilha sonora mais famosa das redes sociais nas últimas semanas. Aquele sussurro irônico que o internauta conhece bem: “Será?”.

Durante entrevista ao programa Dário de Paula, o chefe do Executivo de Volta Redonda foi categórico ao cravar que, em 2028, carimba sua saída definitiva do Palácio 17 de Julho.

“Eu paro. Acho que está na hora de descansar um pouco, mas a cidade tem que continuar, do jeito que ela está, melhorando a cada dia”, afirmou Neto, prestes a completar 70 anos no próximo dia 29 de maio, e que terminará o atual mandato com 72.

No ar, o prefeito aproveitou para vender seu peixe: destacou as 300 obras em andamento na cidade – diversas delas atrasadas -, relembrou que pegou o funcionalismo com três meses de salários atrasados e prometeu entregar, até o fim do governo, o inédito Crematório Público no Cemitério do Retiro com preços acessíveis. “A obra já começou e está na cobertura. A coisa está acontecendo”, pontuou.

O discurso de dever cumprido é bonito, tem forte apelo popular, mas esbarra num detalhe: a população de Volta Redonda já assistiu a esse filme antes. E é aí que o “Será?” ganha força de meme.

Histórico de “adeus”

Voltar no tempo na política da Cidade do Aço é viver em um eterno déjà-vu. Em 2016, quando estava prestes a concluir o seu então quarto mandato, Neto usou exatamente o mesmo tom para anunciar o fim de sua trajetória nas urnas. Disse que não voltaria a disputar eleições. Quatro anos depois, lá estava ele de volta: concorreu, atropelou o então prefeito Samuca Silva e venceu no primeiro turno, com ampla vantagem.

Em maio do ano passado, em entrevista ao programa Fato Popular, o roteiro se repetiu. “Eu sou muito grato ao povo de Volta Redonda. Eu nem posso ser candidato mais [em 2028]. Já fiz o que eu tinha que fazer”, desabafou na época.

Desta vez, contudo, há um muro jurídico no caminho. Mesmo que o coração do veterano político queira esticar a corda mais uma vez no futuro, a legislação eleitoral brasileira proíbe terminantemente uma terceira reeleição consecutiva em 2028. Ou seja: por força da lei, Neto está fora do próximo tabuleiro.

Quem herdará o espólio?

Com a saída compulsória de Neto do horizonte, a temporada do “Será?” muda de alvo e mira os corredores do Palácio 17 de Julho. Quem o prefeito vai ungir como seu herdeiro político? A bolsa de apostas nos bastidores já conta com sete nomes orbitando o cafezinho do Palácio 17 de Julho.

O primeiro da fila natural é o atual vice-prefeito, o engenheiro Sebastião Faria (PL). Gestor testado e homem de extrema confiança, Faria tem apenas o fator idade como obstáculo: ele terá 88 anos em 2028. Será que topa?

Por isso, outras peças se movimentam com velocidade. Internamente, quem ganha muita força é a secretária municipal de Saúde, Márcia Cury, turbinada pela boa avaliação da pasta e do Hospital do Retiro. No front do carisma popular, o vereador Renan Cury (Solidariedade) desponta como um puxador de votos influente.

A lista de prefeitáveis da base governista ainda estende o tapete para o ex-secretário de Ordem Pública, coronel Luiz Henrique Monteiro Barbosa; a vereadora Carla Duarte (PSD); e o experiente ex-deputado estadual Edson Albertassi. Para fechar o tabuleiro, um nome que tem circulado com frequência pelos corredores palacianos é o do presidente do UniFOA, Eduardo Prado.

Neto garantiu no rádio que vai descansar. O eleitorado ouviu atento. Mas no fundo, a atmosfera política de Volta Redonda hoje se resume a uma única palavra, em tom de interrogação: Será?

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