A prefeitura de Volta Redonda decidiu avançar na construção da Avenida do Canal, no bairro Aterrado, mesmo sem a licença ambiental necessária para o início das obras. A nova via é tratada pela Secretaria Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana (STMU) como peça central para evitar a saturação do trânsito nas próximas décadas. Um estudo de 2015 estima que, sem novas rotas, o sistema viário da cidade poderá entrar em colapso até 2035, impulsionado pelo crescimento anual projetado de 2,6% da frota e da população.
Mesmo com a licença ainda pendente, o município marcou para 11 de dezembro, às 9h, a licitação que definirá a empresa responsável pelas obras de contenção em gabião e pela implantação da nova via. A estrutura será conectada ao viaduto atualmente em construção e é considerada fundamental para reorganizar o fluxo entre o Aterrado e os bairros situados na outra margem do Rio Paraíba do Sul.
Licença permanece sob análise
O processo de licenciamento ambiental tramita no Instituto Estadual do Ambiente (Inea) desde agosto, sob o número 070002/017010/2025. Em parecer técnico, o órgão afirma não ter identificado impedimentos ambientais para o prosseguimento da análise, mas ressalta que a autorização final ainda não foi emitida.
No último dia 12 de novembro, o Inea enviou nova notificação à Prefeitura solicitando documentos complementares, entre eles o desenho geométrico da via. O município tem 30 dias para atender às exigências. Caso contrário, o órgão alerta que o pedido poderá ser indeferido, conforme previsto na legislação ambiental estadual.
Ligação entre o Aterrado e o Aero
A Avenida do Canal deverá se tornar o principal acesso à ponte que está sendo construída sobre o Rio Paraíba do Sul. A expectativa é que, com a nova ligação, motoristas possam evitar o centro comercial do Aterrado e chegar com mais rapidez à Radial Leste, ao Retiro e aos bairros Aero Clube, Niterói e Voldac.
A STMU destaca ainda que a intervenção facilitará o acesso ao campus da UFF, ao Fórum e ao Ministério Público Estadual, além de estimular o desenvolvimento de novas áreas urbanas na região do Aero Clube. Segundo o município, a ausência da obra tende a intensificar a sobrecarga atual do trânsito, especialmente na Avenida 7 de Setembro, que já opera no limite de sua capacidade.
Canalização do córrego São Geraldo
O projeto prevê a canalização de 20 metros do córrego São Geraldo, com instalação de aduelas de concreto armado e construção de muros de gabião para estabilização das margens. A Prefeitura argumenta que a intervenção é necessária para garantir estabilidade hidráulica e permitir a implantação da via sobre o trecho canalizado.
Em vistoria realizada em agosto, técnicos do Inea classificaram a área como urbana consolidada, com vegetação predominantemente exótica e presença de carga orgânica no curso d’água. O relatório aponta que os impactos previstos, como movimentação de terra, supressão de vegetação e aumento temporário de poeira e ruído, são típicos da fase de obras e deverão ser monitorados.
Custo de R$ 7,7 milhões
O edital estima o valor da intervenção em R$ 7,7 milhões, com base no Sistema de Custos Unitários da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP-RJ) referente a maio de 2025. A licitação será presencial e utilizará o critério de menor preço global.
A empresa vencedora terá 12 meses para concluir a obra e deverá oferecer garantia mínima de 10 anos para materiais e serviços. Ao final dos trabalhos, será entregue um relatório técnico detalhado, incluindo memórias de cálculo, registro fotográfico e o projeto “as built”, que documenta exatamente o que foi executado em campo.











































