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segunda-feira, fevereiro 23, 2026
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Professor da UFF analisa explosão na Vila Americana e alerta para riscos estruturais e urbanos

O acidente registrado na madrugada do último domingo (dia 22), nas dependências da empresa Vega Energia, no bairro Vila Americana, que resultou na morte de dois trabalhadores e deixou um terceiro ferido, reacendeu discussões sobre segurança operacional, relações de trabalho e ocupação urbana em áreas industriais. A avaliação é do professor Douglas Mansur, doutor em Antropologia e docente do campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Volta Redonda.

Segundo o professor, “a atual configuração do setor de distribuição de combustíveis no país ajuda a compreender o contexto em que o acidente ocorreu”. Ele lembra que a Petrobras vendeu o controle acionário da antiga BR Distribuidora durante o governo de Michel Temer, com a saída definitiva da estatal no governo de Jair Bolsonaro. A empresa passou a operar sob o nome Vibra Energia, mantendo, por acordo comercial, o direito de uso da marca BR até 2029.

Mansur observa ainda que a Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte e logística de combustíveis, permanece como empresa pública após a interrupção do processo de privatização no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “Tanto a Transpetro quanto a Vibra atuam na localidade da Vila Americana, sendo o armazenamento de responsabilidade da Vibra Energia”, afirmou.

O docente também chamou atenção para a precarização das relações de trabalho no setor. “Há uma crescente precarização das condições de trabalho, associada à terceirização e à pejotização, cenário intensificado após a reforma trabalhista aprovada no governo Temer. Os trabalhadores acidentados eram terceirizados”, destacou.

Outro ponto levantado pelo professor diz respeito à cadeia de formação de preços dos combustíveis. “Reduções nos custos de refino não estariam sendo integralmente transferidas ao consumidor final pelas distribuidoras, o que impacta diretamente o preço nas bombas”, avaliou.

Ocupação urbana preocupa

Além das questões trabalhistas e estruturais do setor, Mansur demonstrou preocupação com a presença de moradias no entorno de áreas industriais classificadas como de risco. “O correto seria não haver população residente nas proximidades dessas instalações. No entanto, essa realidade está relacionada à ausência de políticas eficazes de enfrentamento do déficit habitacional e à garantia do direito à moradia”, afirmou.

Apesar da gravidade do acidente, o professor avaliou que parte do sistema de segurança pode ter funcionado. “Caso o incêndio tivesse se alastrado, poderia ter atingido moradores da região e provocado danos ambientais ao Rio Paraíba do Sul”, alertou.

Por fim, o docente mencionou entraves estruturais que, segundo ele, também afetaram a ampliação do campus da UFF no Aterrado. “Áreas vizinhas pertencentes à Companhia Siderúrgica Nacional não foram cedidas, o que exigiria um processo de desapropriação considerado moroso. Diante disso, a expansão possível vem sendo realizada dentro dos limites do próprio terreno da universidade”, explicou.

Além da atuação acadêmica, Douglas Mansur também é colaborador do Movimento Ética na Política de Volta Redonda (MEP-VR).

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