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quarta-feira, fevereiro 25, 2026
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Radiologia pediátrica e proteção à infância são temas de encontro acadêmico no UniFOA

Com o objetivo de ampliar o conhecimento técnico e fortalecer o papel dos profissionais de saúde na identificação de situações de violência infantil, o internato de pediatria do módulo 10, do curso de Medicina do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) supervisionado pelo professor Luciano Costa, responsável pelo internato de pediatria e do Ciclo do Internato, promoveu um Encontro de Radiologia Pediátrica voltado a estudantes e profissionais da área da saúde.  

A atividade discutiu os principais achados radiológicos relacionados às diferentes formas de violência contra crianças (física, negligência e maus-tratos), além de apresentar protocolos de imagem adotados nacional e internacionalmente, boas práticas de laudos médicos e a importância da atuação multiprofissional na proteção integral da criança.  

A palestra foi conduzida por Denise de Andrade Castro, radiologista pediátrica, especialista em diagnóstico por imagem e atualmente trabalhando como professora da Universidade Queen’s, em Kingston, no Canadá.  

Segundo a médica, a radiologia pediátrica vai muito além da análise técnica dos exames.  “É uma área extremamente gratificante. Trabalhamos desde recém-nascidos até adolescentes, lidando com doenças simples e complexas. E quando falamos de maus-tratos infantis, os exames de imagem muitas vezes são a primeira evidência objetiva de que algo não está certo”, explicou.  

Ela destacou que, em diversos casos, o radiologista é o primeiro profissional a levantar suspeitas de violência.  

“Às vezes a criança chega ao pronto-socorro com uma história que não corresponde ao padrão da lesão. Um tipo de fratura incompatível com a idade ou com o relato apresentado acende um alerta. O radiologista passa a ter papel fundamental para identificar essas ‘bandeiras vermelhas’ e ajudar toda a equipe no diagnóstico correto.”  

O encontro também abordou as dificuldades enfrentadas pelos profissionais, como diferenciar lesões acidentais de não acidentais e cumprir corretamente os protocolos de notificação obrigatória, etapas essenciais para garantir proteção legal e assistência adequada às vítimas.  

Para a palestrante, discutir o tema ainda durante a graduação prepara os futuros médicos para situações reais da prática profissional.  

“É excelente ver a instituição trazendo esse tipo de debate. Eu já fui professora do UniFOA anos atrás e retornar agora como professora visitante, trazendo a experiência adquirida no exterior, é um prazer enorme. Esse conhecimento pode fazer diferença direta na vida de uma criança”.

A estudante do 10º módulo de Medicina, Leiza Veiga, ressaltou a relevância do encontro para a formação acadêmica. “Nós, como futuros médicos, precisamos saber identificar sinais de maus-tratos. Ter contato com esse tema durante a graduação amplia nossa preparação para o que vamos encontrar no exercício da profissão.”  

Segundo ela, atividades como essa ajudam a compreender a dimensão da responsabilidade médica. “Percebemos o quanto precisamos estar atentos e preparados para situações que vão muito além do diagnóstico clínico”.  

A professora Cecília Pereira, preceptora do internato de pediatria, reforçou que os exames de imagem podem ser decisivos para confirmar suspeitas de violência.  

“Quando existe suspeita de maus-tratos, a radiologia pode fornecer pistas fundamentais para o diagnóstico. Essa é a grande importância: permitir identificar situações que muitas vezes não são visíveis clinicamente”. 

Ela destacou ainda o diferencial acadêmico do encontro ao possibilitar contato direto com uma especialista em radiologia pediátrica, área ainda pouco presente na região.  

A violência infantil é reconhecida como um problema relevante de saúde pública e frequentemente subdiagnosticado. Nesse cenário, iniciativas acadêmicas como o encontro promovido pelo curso de Medicina contribuem para formar profissionais mais preparados técnica e eticamente.  

Ao integrar ensino, prática médica e responsabilidade social, o evento reforçou a radiologia não apenas como ferramenta diagnóstica, mas como um instrumento essencial de cuidado, proteção e defesa da infância.

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