A passagem de uma frente fria provocou uma forte ventania na tarde desta quarta-feira (dia 29), causando transtornos em diversas cidades do Sul Fluminense e da Costa Verde. Em Volta Redonda, as rajadas espalharam novamente a poeira proveniente da área da Usina Presidente Vargas, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cobrindo bairros da cidade e gerando preocupação entre moradores sobre a qualidade do ar. Já em Angra dos Reis, árvores e vegetação caíram sobre rodovias, provocando interdições, enquanto rajadas de vento ultrapassaram os 100 km/h.
Em Volta Redonda, moradores registraram uma grande nuvem de poeira avançando sobre diversos bairros, principalmente os localizados na margem esquerda do Rio Paraíba do Sul. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram a poeira reduzindo a visibilidade e cobrindo parte da cidade. O fenômeno costuma ocorrer durante períodos de estiagem, quando a ausência de chuvas favorece a dispersão do material particulado pelo vento.
Além da poeira, moradores relataram oscilações e picos no fornecimento de energia elétrica em alguns bairros durante a passagem da ventania.
Na Costa Verde, os impactos foram ainda maiores. Em Angra dos Reis, a Defesa Civil registrou rajadas de até 104 km/h. Árvores caíram em diversos pontos da cidade, incluindo trechos da BR-101 (Rio-Santos), da Estrada do Contorno, das avenidas Júlio Maria e Oswaldo Martins Neves, além de vias nos bairros São Bento, Camorim, Praia do Leste e Japuíba.
A RJ-155 (Rodovia Saturnino Braga), importante ligação entre Angra dos Reis e Barra Mansa, foi interditada na região da Serra D’Água após a queda de vegetação nos quilômetros 10, 12 e 14. Equipes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) e da Defesa Civil atuaram na remoção das árvores para liberar a pista.
Os ventos também atingiram a Aldeia Indígena Sapukai, no bairro Bracuí, onde moradores relataram danos em telhados e interrupção do fornecimento de energia elétrica. A comunidade, considerada a maior aldeia indígena do estado do Rio de Janeiro, abriga mais de 330 indígenas da etnia Guarani.
Em Paraty, as fortes rajadas também assustaram moradores, embora, até o momento, não houvesse registro oficial de ocorrências graves.
Em Resende, moradores registraram em vídeos a força dos ventos levantando poeira e balançando árvores e estruturas. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação de danos significativos no município.
A Secretaria de Estado de Defesa Civil informou que o Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) emitiu alerta para ventos fortes em diversas regiões do estado, incluindo Costa Verde, Sul Fluminense, Baixada Fluminense, Região Metropolitana, Baixada Litorânea e Norte Fluminense. O aviso permanece válido até a manhã de sexta-feira (dia 31).
Em todo o estado, o Corpo de Bombeiros contabilizou, até o início da noite, cerca de 30 ocorrências de corte de árvores, 26 salvamentos de pessoas e três desabamentos relacionados aos efeitos da ventania.
Na capital, os ventos chegaram a 105,5 km/h no Aeroporto Internacional do Galeão e 92 km/h na estação meteorológica de Santa Cruz. O temporal provocou apagões em diversos bairros, interrompeu temporariamente a circulação do metrô, dos trens e as operações no Aeroporto Santos Dumont, além de provocar quedas de árvores e danos em estruturas.
A força da frente fria também provocou uma tragédia no litoral paulista. Em Santos (SP), um homem morreu após ser atingido pela queda de uma árvore durante a ventania. Segundo informações preliminares, a vítima era um homem em situação de rua. As rajadas de vento, que ultrapassaram os 100 km/h em diversas cidades, também levaram à paralisação temporária das operações no Porto de Santos e das travessias de balsas por medida de segurança, além de causar quedas de árvores, destelhamentos e outros danos.
As autoridades orientam que a população evite permanecer próximo a árvores, postes, placas de sinalização, estruturas metálicas e marquises enquanto persistirem as rajadas de vento. Em caso de emergência, a recomendação é acionar a Defesa Civil ou o Corpo de Bombeiros.
Foto: Reprodução/Redes Sociais












































