Em ritmo de Copa do Mundo, quando a paixão pelo esporte toma conta das ruas, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) mostra que a maior vitória pode acontecer fora dos gramados. A Casa Legislativa aprovou, recentemente, o Projeto de Lei 2.707/23, de autoria do deputado Thiago Gagliasso (PL), que cria o programa “Torcedor Sangue Bom”. A proposta busca transformar a rivalidade esportiva em uma competição solidária, incentivando torcedores e torcidas organizadas a contribuírem com os estoques dos hemocentros por meio da doação de sangue. A norma aguarda sanção ou veto do Governo do Estado.
“A Assembleia tem buscado criar mecanismos que estimulem a doação regular de sangue e reconheçam a importância dos doadores. Além de aprovar leis que garantem direitos e benefícios, queremos fortalecer a conscientização da população sobre a necessidade permanente de manter os estoques abastecidos,” enfatiza o deputado Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj.
O tema ganha destaque neste domingo, 14 de junho, quando é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue. A data homenageia os doadores voluntários e reforça a importância de manter os estoques dos hemocentros abastecidos durante todo o ano. No Rio de Janeiro, a Alerj tem contribuído para esse esforço por meio de campanhas de conscientização e da aprovação de leis que garantem direitos e incentivos aos doadores regulares.
A próxima campanha da Assembleia em parceria com o Hemorio está prevista para agosto e pretende ampliar o número de doadores em todo o estado. A ação já acontece há três anos consecutivos e no último, foram coletadas cerca de 50 bolsas de sangue, volume capaz de salvar mais de 190 vidas.
Doador frequente, Gustavo Natario, de 32 anos, participou da última edição, realizada na galeria do Edifício Lúcio Costa, sede da Alerj. Para ele, a causa é pessoal. “O clichê de que doar sangue salva vidas é muito verdadeiro, e eu já vi isso de perto. Tenho amigos e familiares que precisaram dos bancos de sangue. Um primo meu teve câncer e dependeu dessas doações”, conta.
Solidariedade que gera benefícios
Além de contribuir para salvar vidas, os doadores de sangue contam com uma série de direitos garantidos por leis aprovadas e debatidas pela Alerj. Nos últimos anos, o Parlamento Fluminense construiu uma legislação voltada para estimular a doação voluntária e reconhecer a importância social desse gesto.
Entre os benefícios está o direito concedido aos servidores públicos estaduais que realizam doações regulares de sangue. A Lei 7.892/18 garante um dia de folga por ano aos servidores que realizarem ao menos duas doações anuais. Outra medida importante é a Lei 8.920/20 que prevê isenção das taxas de inscrição em concursos públicos estaduais para os doadores regulares, reduzindo barreiras e incentivando a manutenção desse ato de solidariedade.
Outro avanço foi a garantia de atendimento prioritário aos doadores regulares, assegurando maior agilidade em diversos serviços. A Lei 10.527/24 também prevê benefícios relacionados à mobilidade, com a possibilidade de gratuidade no transporte intermunicipal nos dias destinados à doação de sangue e de medula óssea.
Paralelamente, campanhas permanentes de conscientização ajudam a ampliar o alcance da causa. Empresas concessionárias de serviços públicos e operadoras de planos de saúde podem divulgar mensagens de incentivo à doação em suas contas e canais de comunicação, reforçando a importância da participação da sociedade na manutenção dos estoques.
Para usufruir desses direitos, é necessário que o cidadão possua o Certificado de Doador Regular emitido pelo hemocentro responsável pelo seu cadastro.
“A doação de sangue envolve empatia e responsabilidade social. Iniciativas que utilizam o esporte como ferramenta de mobilização são importantes porque transformam um sentimento coletivo como a paixão por um time em uma ação concreta capaz de salvar vidas. È uma forma de mostrar que a solidariedade também pode ser contagiante,“ reforça Nelson Antonio Linhares, psicólogo.
Estoques dependem de doações constantes
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Estado do Rio de Janeiro registra, historicamente, entre 150 mil e 160 mil bolsas de sangue coletadas por ano. A maior parte das doações ocorre na Região Metropolitana, responsável por cerca de 66% do total, seguida pelas regiões Norte Fluminense e Médio Paraíba.
Apesar dos números expressivos, especialistas alertam que a demanda é contínua e que os estoques precisam ser renovados diariamente para atender pacientes em cirurgias, tratamentos oncológicos, transplantes e emergências.
Quem pode ser um Torcedor Sangue Bom
Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos, com peso mínimo de 50 quilos e boas condições de saúde. Menores de idade precisam estar autorizados pelos pais ou responsáveis. Também é necessário apresentar documento oficial com foto e passar pela triagem clínica realizada pelos hemocentros.
Os homens podem doar até quatro vezes por ano, respeitando o intervalo mínimo de dois meses entre as doações. Já as mulheres podem realizar até três doações anuais, com intervalo de três meses entre cada procedimento.
A vitória que salva vidas
Com o programa Torcedor Sangue Bom, a Alerj aposta na força mobilizadora do esporte para transformar a solidariedade em um hábito permanente. A proposta é simples: mostrar que, quando o assunto é doação de sangue, não existem adversários. Independentemente da camisa que vestem, todos os torcedores podem jogar no mesmo time e ajudar a salvar vidas.













































