Passados pouco mais de 18 meses da eleição que levou Kátia Miki (Solidariedade) ao comando de Barra do Piraí, o cenário político do município continua longe da calmaria. Entre disputas, decisões judiciais e troca de acusações, o ambiente segue aquecido, e, ao que tudo indica, ainda deve render novos capítulos.
O episódio mais recente envolve o ex-prefeito Mario Esteves, que foi condenado pela Justiça Eleitoral ao pagamento de multa de R$ 5 mil por propaganda eleitoral irregular durante o período pré-eleitoral de 2024. A decisão, já transitada em julgado, ou seja, sem possibilidade de recurso, teve certidão publicada no último dia 30 de março. O processo foi relatado pelo desembargador Rafael Estrela Nóbrega, no âmbito do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
Uso de deep fake pesou na condenação
De acordo com o acórdão, a irregularidade ocorreu após a veiculação, nas redes sociais do então prefeito, de conteúdos manipulados digitalmente, os chamados “deep fakes”, durante a pré-campanha eleitoral. A Corte entendeu que os vídeos apresentavam imagens de adversários políticos com falas que não foram realmente proferidas, o que poderia induzir o eleitor ao erro e comprometer o equilíbrio do pleito.
Segundo o relator, mesmo com tom satírico, o material ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao utilizar recursos de inteligência artificial para simular declarações inexistentes.
“O uso das imagens reais dos candidatos em contextos diversos […] permite que o eleitorado considere verídico aquele conteúdo, confundindo o seu destinatário”, destacou o voto.
Remoção não afasta punição
Um dos argumentos da defesa era de que o conteúdo já havia sido retirado do ar, o que, na avaliação do ex-prefeito, afastaria a penalidade. O entendimento do Tribunal, no entanto, foi o oposto.
A decisão reforça que a exclusão da publicação não impede a aplicação de multa quando comprovada a irregularidade, especialmente em casos envolvendo desinformação ou manipulação de conteúdo.
Clima tensionado
A condenação reacende debates sobre os limites da atuação política nas redes sociais e o uso de novas tecnologias em campanhas eleitorais. Também joga luz sobre o ambiente de disputa que ainda persiste na cidade, mesmo após a definição das urnas.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o episódio reforça o nível de polarização local – uma prévia do pleito de 2028 -, que não arrefeceu com a posse da atual gestão. Pelo contrário: decisões judiciais, embates públicos e movimentações de grupos políticos indicam que Barra do Piraí segue em ritmo de campanha permanente.
E, ao que tudo indica, essa “novela”, agora sem deep fake, ainda está longe do último capítulo.
Críticas nas redes mantêm tensão política
Mesmo fora do comando do Executivo, o ex-prefeito Mario Esteves segue atuante no debate público local, principalmente por meio das redes sociais, onde tem feito críticas frequentes à atual gestão da prefeita Kátia Miki. A área da Saúde tem sido um dos principais alvos das manifestações. Em publicação feita no último sábado (dia 4), Esteves questionou a execução orçamentária do setor e criticou o que classificou como baixa aplicação de recursos.
“Barra do Piraí tinha recurso em caixa. Tinha saldo anterior. Tinha dinheiro disponível. E mesmo assim… executou apenas 2,25% [do orçamento da Saúde]. Enquanto outros fazem o dinheiro virar atendimento, aqui ele ficou parado. E quem paga a conta? A população”, escreveu.
As declarações ampliam o tom de confronto entre grupos políticos no município e evidenciam que, mesmo após o período eleitoral, o debate segue polarizado, agora com as redes sociais como principal arena.












































