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“Onça-preta” em Santa Rita do Zarur? Vídeo viral gera preocupação, mas especialista afirma tratar-se de gato doméstico

Um vídeo que circula nas redes sociais e sugere a presença de uma “onça-preta” no bairro Santa Rita do Zarur, em Volta Redonda, gerou preocupação entre moradores e intensa repercussão online. Apesar do alarme, um especialista afirma que o animal registrado nas imagens é, na verdade, um gato doméstico de pelagem escura.

As imagens mostram um animal em área de mata e foram compartilhadas como alerta por uma moradora, que afirma que o registro foi feito na casa de familiares. Segundo o relato, o suposto felino teria invadido quintais e atacado galinhas e outros animais domésticos. Ainda de acordo com a autora da publicação, órgãos competentes foram acionados e equipes estiveram no local, mas nenhum animal foi localizado até o momento.

O caso ganhou força nas redes sociais, dividindo opiniões entre quem acredita na presença de um animal silvestre de grande porte e quem questiona a veracidade da informação.

Especialista em fauna, o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e mestre em Zoologia, Sandro Alves, descarta a hipótese de se tratar de uma onça-pintada. Ele aponta três fatores principais: o tamanho do animal, o ambiente em que foi filmado e a raridade da chamada “onça-preta”.

Segundo o especialista, o efeito de zoom da gravação pode distorcer a percepção de tamanho, mas um elemento presente na imagem – um cupinzeiro – serve como referência. “Nas áreas abertas do Sul Fluminense, cupinzeiros costumam ter entre 60 e 80 centímetros. Comparado a ele, o animal tem proporções compatíveis com um gato doméstico”, explica. Ele lembra que uma onça-pintada adulta pode pesar entre 50 e 100 quilos, enquanto um gato raramente ultrapassa 6 quilos.

Outro ponto destacado é a inviabilidade ambiental. A região de Volta Redonda, inserida na Mata Atlântica, sofreu intenso desmatamento ao longo dos anos, restando apenas fragmentos isolados de floresta. “Uma onça-pintada precisa de grandes áreas contínuas de mata e abundância de presas, o que não existe no entorno urbano do município”, afirma. Não há registros recentes ou históricos da presença do animal na região.

Além disso, a chamada “onça-preta” não é uma espécie distinta, mas uma variação rara da onça-pintada, causada por melanismo. Estima-se que apenas cerca de 6% dos indivíduos apresentem essa característica, o que torna ainda mais improvável a ocorrência.

O especialista também faz um alerta sobre a disseminação de informações não verificadas. “Casos como esse, em sua maioria, envolvem gatos domésticos. A divulgação sem checagem pode causar medo desnecessário e prejudicar o monitoramento de espécies silvestres reais”, destaca Sandro, citando como exemplo a fauna protegida da Floresta da Cicuta, onde os animais nativos são protegidos permanentemente. “Reforça-se, por fim, a importância de a imprensa consultar órgãos técnicos competentes, tais como ICMBio, INEA e instituições de ensino e pesquisa locais, antes de divulgar registros de animais silvestres que envolvam espécies ameaçadas ou de grande repercussão pública”.

Foto: Reprodução

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