Policiais civis da 96ª DP (Miguel Pereira) deflagraram, nesta terça-feira (dia 2), a “Operação Riqueza Sombria” contra um grupo criminoso especializado na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas da facção Comando Vermelho. As apurações revelaram movimentações superiores a R$ 116 milhões e apontaram ramificações da organização criminosa no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Os agentes buscaram cumprir mandados de busca e apreensão contra os investigados. Dois criminosos foram capturados durante a ação, além das apreensões de armas, celulares e equipamentos eletrônicos.
As diligências ocorreram simultaneamente nos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. No Rio, os mandados foram cumpridos nos municípios de Cabo Frio e no bairro do Jacaré, na Zona Norte do Rio. As equipes atuaram ainda em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul; Ribeirão Preto e Orlândia, em São Paulo; e Formiga, em Minas Gerais. A ação contou com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e das Polícias Civis de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, além do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) carioca e sul-mato-grossense.
A investigação teve início a partir das informações coletadas em uma operação realizada em julho de 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, Zona Norte do Rio. Na ocasião, os policiais apreenderam drogas, rádios comunicadores, um simulacro de arma de fogo e diversos comprovantes bancários.
A análise dos comprovantes revelou um padrão de depósitos realizados em agências bancárias próximas a áreas dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho, especialmente na região do Complexo do Chapadão. As movimentações ocorriam de forma fracionada, técnica conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar a identificação pelos sistemas de controle financeiro.
De acordo com as apurações, os valores coletados com a venda de entorpecentes no Rio de Janeiro eram pulverizados em dezenas de depósitos em espécie e direcionados para contas de pessoas físicas e empresas de fachada utilizadas como “laranjas”. Posteriormente, os recursos eram redistribuídos e reinseridos no sistema financeiro formal, dificultando o rastreamento de sua origem ilícita.
Os Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) revelaram que os principais beneficiários dos recursos estavam concentrados no município de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, cidade localizada na fronteira com o Paraguai e considerada estratégica nas rotas do tráfico internacional de drogas e armas. Os agentes identificaram que, embora os investigados declarassem baixa renda econômica, eles movimentavam cifras incompatíveis com sua realidade financeira. Os levantamentos apontaram que, entre 2017 e 2021, o grupo movimentou mais de R$ 116,6 milhões. O aumento da receita das operações financeiras chamou a atenção já que em 2019 a movimentação era muito baixa. Um dos investigados chegou a receber 54 depósitos em espécie, totalizando quase R$ 68 mil, em um espaço de tempo de quatro anos;
A operação desta terça-feira teve como objetivo identificar todos os integrantes da rede criminosa, aprofundar a análise patrimonial dos alvos e responsabilizar criminalmente os envolvidos.













































